Exercícios sobre o Pré-Modernismo com Gabarito

01. Pré-Modernismo: (UFV-MG) Observe a seguinte declaração sobre o Pré-Modernismo:
Creio que se pode chamar Pré-Modernismo (no sentido forte de premonição dos temas vivos em 22) tudo o que, nas primeiras décadas do século, problematiza a nossa realidade social e cultural.
BOSI, Alfredo.
História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1994. p. 306.


Atente agora para o que se afirma a respeito de algumas obras e autores brasileiros e assinale a alternativa cujo conteúdo NÃO contempla a síntese crítica de Alfredo Bosi.
A) Um dos grandes temas de
Os sertões é a denúncia que Euclides da Cunha faz sobre o crime que a nação brasileira cometeu contra si própria na Guerra dos Canudos.
B) Monteiro Lobato imortalizou o personagem Jeca Tatu, transformando-o no símbolo do caipira subdesenvolvido que vive na indolência e pratica sempre a “lei do menor esforço”.
C) Mário e Oswald de Andrade notabilizaram-se como os grandes líderes da revolução de 22 e, portanto, do processo de ruptura em relação à tradição intelectual, libertando a literatura brasileira da “calmaria” em que se encontrava.
D) Lima Barreto expressou sempre o inconformismo face às injustiças sociais e, na obra
Triste fim de Policarpo Quaresma, construiu uma imagem caricata do Brasil com todas as suas contradições.
E) Em
Os sertões, Euclides da Cunha opõe o homem do sertão ao homem do litoral, acentuando-lhes as diferenças econômicas e socioculturais.



02. (UFRGS) Leia o poema a seguir, intitulado “A Idéia”, de Augusto dos Anjos.
De onde ela vem? De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!

Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!

Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas da laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica…

Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No mulambo da língua paralítica!

Assinale a alternativa CORRETA sobre esse poema.
A) A interrogação inicial expressa o apego do poeta aos temas sentimentais do Romantismo no Brasil.
B) A linguagem, rica de imagens, utiliza um vocabulário científico para abordar uma questão filosófica.
C) O emprego de palavras como “estalactites” e “moléculas” mostra uma inadequação entre a linguagem científica e o conteúdo do poema.
D) O poeta adota a forma do soneto, porém rompe com o temário cientificista dominante no seu tempo.
E) No primeiro quarteto, as palavras “nebulosas” e “misteriosas” constituem rimas pobres, retomadas no segundo quarteto pelas palavras “nervosas” e “maravilhosas”.



03. Pré-Modernismo: (UFRGS) Leia o trecho de Os sertões, de Euclides da Cunha.
Daquela data ao termo da campanha a tropa iria viver em permanente alarma.
[…]
A tática invariável do jagunço expunha-se temerosa naquele resistir às recuadas, restribando-se em todos os acidentes da terra protetora. Era a luta da sucuri flexuosa com o touro pujante. Laçada a presa, distendia os anéis; permitia-lhe a exaustão do movimento livre e a fadiga da carreira solta; depois se constringia repuxando-o, maneando-o nas roscas contráteis, para relaxá-las de novo, deixando-o mais uma vez se esgotar no escarvar, a marradas, o chão; e novamente o atrair, retrátil, arrastando-o – até ao exaurir completo…

Assinale a alternativa INCORRETA em relação ao trecho.
A) O jagunço, ao aproveitar-se dos “acidentes da terra protetora”, conseguia superar-se e confrontar-se com o inimigo, trazendo-lhe novas dificuldades.
B) O “touro pujante”, apesar de sua força, na ilusão do movimento livre, acaba se exaurindo.
C) No confronto, a “sucuri flexuosa” vence, pois usa os recursos de que dispõe.
D) No trecho, a imagem da luta entre a “sucuri flexuosa” e o “touro pujante” é uma metáfora da luta entre jagunços e expedicionários.
E) A “sucuri flexuosa” e o “touro pujante” estão em constante confronto sem que haja um vencedor.



04. (UFU-MG–2006) Leia o trecho seguinte.
Que lhe importavam os rios? Eram grandes? Pois que fossem… Em que lhe contribuiria para a felicidade saber o nome dos heróis do Brasil? Em nada… O importante é que ele tivesse sido feliz. Foi? Não. Lembrou-se das suas coisas de tupi, do ‘folk-lore’, das suas tentativas agrícolas… Restava disso tudo em sua alma uma satisfação? Nenhuma! Nenhuma!
O tupi encontrou a incredulidade geral, o riso, a mofa, o escárnio; e levou-o à loucura. Uma decepção. E a agricultura? Nada. As terras não eram ferazes e ela não era fácil como diziam os livros. Outra decepção. E, quando o seu patriotismo se fizera combatente, o que achara? Decepções. Onde estava a doçura de nossa gente? Pois ele não a viu combater como feras? Pois não a via matar prisioneiros, inúmeros? Outra decepção. A sua vida era uma decepção,  uma série, melhor, um encadeamento de decepções.BARRETO, Lima.
Triste fim de Policarpo Quaresma.

Marque a afirmativa CORRETA.
A) O trecho mostra que, em todos os momentos de sua vida, Quaresma preocupou-se com o bem coletivo. Mas, neste momento, ele pensa em si próprio e vê que é um homem abandonado, incompreendido, injustiçado. Toda a sua dedicação à pátria não lhe deu  felicidade nenhuma: é um homem só e decepcionado.
B) O trecho foi extraído do 1º capítulo do romance em questão, que introduz o major Quaresma em seu sítio, fazendo uma reflexão de sua vida passada. A partir daí, em tempo psicológico, a narrativa resgata os episódios marcantes da vida de Quaresma envolvido na consolidação de seus projetos nacionalistas.
C) Este trecho mostra que, em todos os momentos de sua vida, Quaresma agiu como um cidadão nacionalista, envolvido, sobretudo, com o bem da pátria. Em sua reflexão, fica claro que, mesmo após sua vida ter sido “um encadeamento de decepções”, ele, o indivíduo, não se importa.
D) Nas últimas linhas do trecho, há a afirmação de que “A sua vida era uma decepção, uma série, melhor, um encadeamento de decepções”. A última grande decepção de Quaresma, dentro de seu projeto de mostrar que o Brasil era uma nação viável e grandiosa, foi descobrir que o rio Amazonas era menor que o rio Nilo.



05. Pré-Modernismo: (PUC-SP) Augusto dos Anjos é autor de um único livro, Eu, editado pela primeira vez em 1912. Outras poesias acrescentaram-se às edições posteriores. Considerando a produção literária desse poeta, pode-se dizer que:

A) foi recebida sem restrições no meio literário de sua época, alcançando destaque na história das formas literárias brasileiras.
B) revela uma militância político-ideológica que o coloca entre os principais poetas brasileiros de veio socialista.
C) foi elogiada poeticamente pela crítica de sua época, entretanto não representou um sucesso de público.
D) traduz a sua subjetividade pessimista em relação ao homem e ao cosmos, por meio de um vocabulário técnico-científico-poético.
E) anuncia o Parnasianismo, em virtude das suas inovações técnico-científicas e de sua temática psicanalítica.


06. Pré-Modernismo: (UEL-PR) Assinale a alternativa INCORRETA sobre o Pré-Modernismo.

A) Não se caracterizou como uma escola literária com princípios estéticos bem delimitados, mas como um período de prefiguração das inovações temáticas e linguísticas do Modernismo.
B) Algumas correntes de vanguarda do início do século XX, como o Futurismo e o Cubismo, exerceram grande influência sobre nossos escritores pré-modernistas, sobretudo na poesia.
C) Tanto Lima Barreto quanto Monteiro Lobato são nomes significativos da literatura pré-modernista produzida nos primeiros anos do século XX, pois problematizam a realidade cultural e social do Brasil.
D) Euclides da Cunha, com a obra
Os sertões, ultrapassa o relato meramente documental da batalha de Canudos para fixar-se em problemas humanos e revelar a face trágica da nação brasileira.
E) Nos romances de Lima Barreto, observa-se, além da crítica social, a crítica ao academicismo e à linguagem empolada e vazia dos parnasianos, traço que revela a postura moderna do escritor.


07. (UFV-MG–2010) Leia as afirmativas seguintes, relacionadas ao Pré-Modernismo brasileiro:

I. Lima Barreto, Euclides da Cunha e Monteiro Lobato são autores pré-modernistas, cujas obras revelam interesse pela realidade brasileira.
II. As obras dos escritores pré-modernistas anteciparam alguns pressupostos temáticos e / ou formais do Modernismo.
III. Denomina-se Pré-Modernismo o período de transição entre as tendências artísticas do final do século XIX e o Modernismo.

Está CORRETO o que se afirma em:
A) II, apenas.
B) III, apenas.
C) I, II e III.
D) I e II, apenas.



08. Pré-Modernismo: (UFRGS) Considere as seguintes afirmações sobre obras de Monteiro Lobato:

I. Em Urupês, Cidades mortas e Negrinha, ele produz uma literatura comprometida predominantemente com os problemas socioeconômicos do Brasil.
II. Em
Urupês, ele atribui a culpa pelo atraso do Brasil ao caboclo, por ele ser acomodado e inadaptável às mudanças necessárias ao desenvolvimento.
III. O título
Cidades mortas alude às cidadezinhas do  interior de São Paulo, que perderam a sua importância econômica face à Capital.

Quais estão CORRETAS?
A) Apenas I
B) Apenas II
C) Apenas III
D) Apenas I e II
E) I, II e III



09. (PUC RS–2010) Para responder à questão, ler o fragmento que segue.
A travessia foi penosamente feita. O terreno inconsistente e móvel fugia sob os passos aos caminhantes; remorava a tração das carretas absorvendo as rodas até ao meio dos raios; opunha, salteadamente, flexíveis barreiras de espinheirais, que era forçoso destramar a facão; e reduplicava, no reverberar intenso das areias, a adustão da canícula. De sorte que ao chegar à tarde, à “Serra Branca”, a tropa estava exausta.
Exausta e sequiosa. Caminhara oito horas sem parar, em pleno arder do sol bravio do verão.

O fragmento pertence ao livro Os sertões, de Euclides da Cunha, que relata a Guerra de Canudos, travada no Nordeste brasileiro entre os homens liderados por Antônio Conselheiro e as tropas militares republicanas.

Nesse trecho da obra:
I. alternam-se a linguagem coloquial e a inconformidade com a exploração do homem pelo homem.
II. a complexidade vocabular e o predomínio da descrição constituem características marcantes.
III. a reiteração de expressões regionais e a preocupação com a condição humana permeiam o ponto de vista do narrador.

A(s) afirmativa(s) CORRETA(S) é / são:
A) I, apenas.
B) II, apenas.
C) III, apenas.
D) I e III, apenas.
E) I, II e III.



10. Pré-Modernismo: (UFAL–2010) Acerca das vanguardas europeias, analise as proposições a seguir.
1. Na literatura, as técnicas de pintura cubista correspondem à fragmentação da realidade, à superposição e simultaneidade de planos – por exemplo, reunir assuntos aparentemente sem nexo, misturar assuntos, espaços e tempos diferentes.
2. As propostas futuristas para a linguagem literária defendiam, dentre outras: as “palavras em liberdade”, por alterações sintáticas; a abolição dos adjetivos e dos advérbios; e a abolição da pontuação.
3. O Expressionismo se revela, na literatura, pelo culto ao belo, pela organização canônica das frases e pela preferência por temas que expressavam o universo interior dos escritores, como os sentimentos de amor, de medo e de dor.
4. Na literatura, o Dadaísmo caracteriza-se pela agressividade, improvisação, desordem, livre associação de palavras e pela invenção de palavras com base apenas em seu significante.

Estão CORRETAS:
A) 1, 2, 3 e 4.
B) 2, 3 e 4, apenas.
C) 1, 3 e 4, apenas.
D) 1, 2 e 3, apenas.
E) 1, 2 e 4, apenas.


11. (Enem–2009)
Texto I
O morcego
Meia-noite. Ao meu quarto me recolho.
Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede:
Na bruta ardência orgânica da sede,
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.
“Vou mandar levantar outra parede…”
– Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho
E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho,
Circularmente sobre a minha rede!
Pego de um pau. Esforços faço. Chego
A tocá-lo. Minh’alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!
A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra
Imperceptivelmente em nosso quarto!
ANJOS, Augusto dos. O morcego. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1994.

Texto II
O lugar-comum em que se converteu a imagem de um poeta doentio, com o gosto do macabro e do horroroso, dificulta que se veja, na obra de Augusto dos Anjos, o olhar clínico, o comportamento analítico, até mesmo certa frieza, certa impessoalidade científica.
CUNHA, F. Romantismo e modernidade na poesia. Rio de Janeiro: Cátedra, 1988 (Adaptação).

Em consonância com os comentários do texto II acerca da poética de Augusto dos Anjos, o poema “O morcego” apresenta-se, enquanto percepção de mundo, como forma estética capaz de:
A) reencantar a vida pelo mistério com que os fatos banais são revestidos na poesia.
B) expressar o caráter doentio da sociedade moderna por meio do gosto pelo macabro.
C) representar realisticamente as dificuldades do cotidiano sem associá-lo a reflexões de cunho existencial.
D) abordar dilemas humanos universais a apartir de um ponto de vista distanciado e analítico acerca do cotidiano.
E) conseguir a atenção do leitor pela inclusão de elementos das histórias de horror e suspense na estrutura lírica da poesia.

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Gabarito com as respostas das atividades de Português sobre Pré-Modernismo:

Gabarito do exercício 01. C;

Gabarito do exercício 02. B;

Gabarito do exercício 03. E;

Gabarito do exercício 04. A;

Gabarito do exercício 05. D;

Gabarito do exercício 06. B;

Gabarito do exercício 07. C;

Gabarito do exercício 08. E;

Gabarito do exercício 09. B;

Gabarito do exercício 10. E;

Gabarito do exercício 11. D

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