Exercícios de Gramática sobre os Tipos de Discursos

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO sobre Tipos de Discursos:

O “por quê?” E o “como?”
Marcelo Gleiser

Uma das concepções mais comuns da ciência é que ela tem o dever de EXPLICAR o porquê de tudo. Por exemplo, por que a Terra gira em torno do sol e não o contrário? Por que existe vida na Terra e não em Vênus? Por que algumas pessoas têm olhos azuis e outras castanhos?

Na prática, no entanto, a situação é mais complicada: existem dois tipos de pergunta, o “por quê?” e o “como?”. Nem sempre a ciência pode ou mesmo tenta ou deve EXPLICAR o porquê das coisas. Perguntas do tipo “como” são em geral muito mais apropriadas à missão da ciência de descrever a realidade em que vivemos.

A teoria de Newton é extremamente bem-sucedida, EXPLICANDO uma série de observações e fenômenos que presenciamos no nosso dia. Quando perguntaram a ele por que massas se atraem, respondeu que preferia não inventar hipóteses sobre o assunto: uma teoria científca pode se contentar em descrever o fenômeno, com alta precisão.
FOLHA DE S. PAULO, São Paulo, 18 jun. 2006, p. 9. Mais! (Adaptado).

01. (UEG) No diálogo presente no 30. parágrafo do texto, que tipo de discurso é usado pelo autor para citar a fala de Newton?


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.

William Blake* sabia disso e afirmou: “A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê”. Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.

Adélia Prado disse: “Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra”. Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.

(Rubem Alves, “A complicada arte de ver”. Folha de S. Paulo, 26.10.2004)
*William Blake (1757-1827) foi poeta romântico, pintor e gravador inglês. Autor dos livros de poemas Song of Innocence e Gates of Paradise.

02. Tipos de Discursos: (FGV) No último parágrafo do texto há um exemplo de discurso:

a) indireto livre.
b) indireto.
c) de autoridade.
d) direto.
e) de injunção.


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
Leia a Entrevista de Adélia Prado, em O coração disparado, para responder.

Um homem do mundo me perguntou:
O que você pensa de sexo?
Uma das maravilhas da criação, eu respondi.
Ele ficou atrapalhado, porque confunde as coisas
E esperava que eu dissesse maldição,
Só porque antes lhe confiara: o destino do homem é a santidade.

03. Tipos de Discursos: (UNIFESP) Em discurso indireto, os dois primeiros versos assumem a seguinte forma:

a) Um homem do mundo me perguntou o que eu pensaria de sexo?
b) Um homem do mundo me perguntou o que você pensava de sexo.
c) Um homem do mundo me perguntou o que eu penso de sexo?
d) Um homem do mundo me perguntou o que você pensa de sexo.
e) Um homem do mundo me perguntou o que eu pensava de sexo.


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

Sinhá Vitória falou assim, mas Fabiano resmungou, franziu a testa, achando a frase extravagante. Aves matarem bois e cabras, que lembrança! Olhou a mulher, desconfiado, julgou que ela estivesse tresvariando.
(Graciliano Ramos, Vidas secas)

04. Tipos de Discursos: (FUVEST) Uma das características do estilo de “Vidas secas” é o uso do discurso indireto livre, que ocorre no trecho

a) “Sinha Vitória falou assim”.
b) “Fabiano resmungou”.
c) “franziu a testa”.
d) “que lembrança”.
e) “olhou a mulher”.


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

Eu troteava, nesse tempo. De uma feita que viajava de escoteiro, com a guaiaca empanzinada de onças de ouro, vim varar aqui neste mesmo passo, por me ficar mais perto da estância onde devia pousar. Parece que foi ontem! Era fevereiro; eu vinha abombado da troteada.

Olhe, ali, à sombra daquela mesma reboleira de mato que está nos vendo, desencilhei; e estendido nos pelegos, a cabeça no lombilho, com o chapéu sobre os olhos, fz uma sesteada morruda.

Despertando, ouvindo o ruído manso da água fresca rolando sobre o pedregulho, tive ganas de me banhar; até para quebrar a lombeira… E fui-me à água que nem capincho!

Depois, daquela vereda andei como três léguas, chegando à estância cedo, obra assim de braça e meia de sol.

Ah! Esqueci de dizer-lhe que andava comigo um cachorrinho brasino, um cusco muito esperto e boa vigia. Era das crianças, mas às vezes dava-lhe para acompanhar-me, e depois de sair da 11porteira, nem por nada fazia caravolta, a não ser comigo.

Durante a troteada reparei que volta e meia o cusco parava na estrada e latia, e troteava sobre o rastro – parecia que estava me chamando! Mas como eu não ia, ele tomava a alcançar-me, e logo recomeçava…

Pois nem lhe conto! Quando botei o pé em terra na estância e já dava as boas tardes ao dono da casa, aguentei um tirão seco no coração… não senti o peso da guaiaca! Tinha perdido as trezentas onças de ouro.

E logo passou-me pelos olhos um darão de cegar, depois uns coriscos… depois tudo ficou cinzento… De meio assombrado me fui repondo quando ouvi que indagavam:

– Então, patrício? Está doente?
– Não senhor, não é doença; é que sucedeu-me uma desgraça; perdi uma dinheirama do meu patrão…
– A la fresca!
– É verdade… antes morresse que isso!
Nisto o cusco brasino deu uns pulos ao focinho do cavalo, como querendo lambê-lo, e logo correu para a estrada, aos latidos. E olhava-me, e vinha e ia, e tornava a latir…

Adaptado de Simões Lopes Neto. Trezentas onças. In: BETANCUR, P. (Org.). Obra completa de Simões Lopes Neto. Porto Alegre: Sulina, 2003. p. 307-308.

05. Tipos de Discursos: (UFRGS) Considere as três propostas de transposição  para o discurso indireto das duas falas do seguinte trecho dotexto (ref. 29).

De meio assombrado me fui repondo quando ouvi que indagavam:
– Então, patrício? Está doente?
– Não senhor, não é doença; é que sucedeu-me uma desgraça […]

I – De meio assombrado me fui repondo quando ouvi que indagavam se eu estava doente. Respondi que não, não era doença, que me sucedera uma desgraça.
II – De meio assombrado me fui repondo quando ouvi que indagavam, então, se eu estava doente. Respondi que não, não era doença, que o que me sucedera foi uma desgraça.
III – De meio assombrado me fui repondo quando ouvi que indagavam se eu estava doente. Respondi que não, senhor, não era doença, que o que me sucedeu foi uma desgraça.

Quais propostas estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas III.
d) Apenas I e II.
e) Apenas II e III.


06. Tipos de Discursos: (FUVEST) “Os acontecimentos foram sabidos e compreendidos mediante minha observação pessoal, direta, ou então segundo o testemunho de alguns dos envolvidos. Às vezes interpretei episódios e comportamentos – não fosse eu um advogado acostumado, profissionalmente, ao exercício da hermenêutica”.

O trecho acima, de “A Grande Arte”, pretende emprestar credibilidade ou verossimilhança à seguinte técnica compositiva desse romance:
a) criação de enredos interligados e produção do suspense.
b) mistura de narrador – personagem e narrador onisciente.
c) junção de monólogo interior e narrativa em terceira pessoa.
d) associação de ponto de vista subjetivo e objetividade científica.
e) multiplicação dos focos narrativos e produção do suspense.


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
O trecho do conto Uns braços, de Machado de Assis, é base para responder às questões.

“Havia cinco semanas que ali morava, e a vida era sempre a mesma, sair de manhã com o Borges, andar por audiências e cartórios, correndo, levando papéis ao selo, ao distribuidor, aos escrivães, aos oficiais de justiça. (…) Cinco semanas de solidão, de trabalho sem gosto, longe da mãe e das irmãs; cinco semanas de silêncio, porque ele só falava uma ou outra vez na rua; em casa, nada.

‘Deixe estar, – pensou ele um dia – fujo daqui e não volto mais.’

Não foi; sentiu-se agarrado e acorrentado pelos braços de D. Severina. Nunca vira outros tão bonitos e tão frescos. A educação que tivera não lhe permitira encará-los logo abertamente, parece até que a princípio afastava os olhos, vexado. Encarou-os pouco a pouco, ao ver que eles não tinham outras mangas, e assim os foi descobrindo, mirando e amando. No fm de três semanas eram eles, moralmente falando, as suas tendas de repouso. Aguentava toda a trabalheira de fora, toda a melancolia da solidão e do silêncio, toda a grosseria do patrão, pela única paga de ver, três vezes por dia, o famoso par de braços.

Naquele dia, enquanto a noite ia caindo e Inácio estirava-se na rede (não tinha ali outra cama), D. Severina, na sala da frente, recapitulava o episódio do jantar e, pela primeira vez, desconfou alguma cousa. Rejeitou a ideia logo, uma criança! Mas há ideias que são da família das moscas teimosas: por mais que a gente as sacuda, elas tornam e pousam. Criança? Tinha quinze anos; e ela advertiu que entre o nariz e a boca do rapaz havia um princípio de rascunho de buço. Que admira que começasse a amar? E não era ela bonita? Esta outra ideia não foi rejeitada, antes afagada e beijada. E recordou então os modos dele, os esquecimentos, as distrações, e mais um incidente, e mais outro, tudo eram sintomas, e concluiu que sim.”

07. Tipos de Discursos: (UNIFESP) No discurso indireto livre, há uma mistura das falas do narrador e da personagem, de tal modo que se torna difícil precisar os limites da fala de um e de outro. Esse tipo de discurso ocorre em:

a) No fim de três semanas eram eles, moralmente falando, as suas tendas de repouso.
b) Voltava à tarde, jantava e recolhia-se ao quarto, até a hora da ceia; ceava e ia dormir.
c) “Deixe estar, – pensou ele um dia – fujo daqui e não volto mais.”
d) Que admira que começasse a amar? E não era ela bonita?
e) Nunca vira outros tão bonitos e tão frescos.


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

O anúncio luminoso de um edifício em frente, acendendo e apagando, dava banhos intermitentes de sangue na pele de seu braço repousado, e de sua face. Ela estava sentada junto à janela e havia luar; e nos intervalos desse banho vermelho ela era toda pálida e suave.

Na roda havia um homem muito inteligente que falava muito; havia seu marido, todo bovino; um pintor louro e nervoso; uma senhora recentemente desquitada, e eu. Para que recensear a roda que falava de política e de pintura? Ela não dava atenção a ninguém. Quieta, às vezes sorrindo quando alguém lhe dirigia a palavra, ela apenas mirava o próprio braço, atenta à mudança da cor. Senti que ela fruía nisso um prazer silencioso e longo. “Muito!”, disse quando alguém lhe perguntou se gostara de um certo quadro – e disse mais algumas palavras; mas mudou um pouco a posição do braço e continuou a se mirar, interessada em si mesma, com um ar sonhador.
Rubem Braga, A mulher que ia navegar.

08. Tipos de Discursos: (FUVEST) “’Muito!’, disse quando alguém lhe perguntou se GOSTARA de um certo quadro.” Se a pergunta a que se refere o trecho fosse apresentada em discurso direto, a forma verbal correspondente a “gostara” seria

a) gostasse.
b) gostava.
c) gostou.
d) gostará.
e) gostaria.


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO sobre Tipos de Discursos:

A ESTRELA SOBE

Vai um dia, uma semana, um mês. Vai o inverno, o verão. As mesmas festas, os mesmos clubes, os mesmos cinemas. Os amiguinhos é que mudam. Não suportava uma semana a mesma cara, a mesma voz, os mesmos beijos. Vem o carnaval, fantasiou-se de camponesa russa – que loucura!

Para as noites de casa tem os romances emprestados, as revistas, os jornais dos hóspedes. Tem o rádio do vizinho também. É desgraçado de fanhoso, mas é rádio. Tem Seu Alberto sempre amigo, sempre de violão, animando-a:

– Que linda voz!
– Pelo senhor eu já estava no rádio, não é, Seu Alberto?
– Por que não? Há muitas piores que lá estão.
Leniza confundia-o:
– Está ouvindo, mamãe? Piores.
Dona Manuela ria, ele ria também:
– É uma maneira de dizer.
– Eu sei!…

Dona Manuela achava que era preciso muito pistolão. Seu Alberto achava que seria bom ela tentar. Ir a uma estação, cantar para eles ouvirem… Voz tinha. Graça também. Quem sabe? Ia falando, falando… – a voz mole, arrastada, quase feminina. Dona Manuela insensivelmente dando corda: – É, não é… – Leniza não ouve – sonha. Ela cantando. Ela ouvida pela mãe, por Seu Alberto, pelo vizinho, por todo mundo. Ela ganhando dinheiro, muito dinheiro, ela se vestindo bem, cotada à beça, com retrato nos jornais todos os dias. Seu Alberto só chama Leniza de senhora, de dona:

– A senhora também não acha, Dona Leniza?
Leniza acorda:
– O quê?
– Que não há outra como a Carmem Miranda.
– Que dúvida!

Dona Manuela não acha. Gosta dela sim, mas gosta mais de Araci Cortes. Acha-a mais mimosa. Tinha-a visto no teatro, há muito tempo, poucos dias antes do marido cair entrevado, coitado. Muito mimosa. Seu Alberto ria:
– Qual, Dona Manuela, a senhora está muito atrasada. A Araci é material da Monarquia.
(REBELO, Marques. A estrela sobe. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.)

09. Tipos de Discursos: (UERJ) A existência de um narrador e de personagens em um texto narrativo possibilita a ocorrência dos três tipos fundamentais de discurso: direto, indireto e indireto livre.

a) Considere o seguinte trecho que está em discurso direto:
“- Que linda voz!
– Pelo senhor eu já estava no rádio, não é, Seu Alberto?”

(texto I)
Reescreva-o utilizando discurso indireto.
b) No primeiro parágrafo do texto, o narrador recorreu ao discurso indireto livre.
Caracterize este recurso narrativo e cite uma frase do referido parágrafo como exemplo.

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Gabarito com as respostas das atividades de gramática sobre os Tipos de Discursos:

Gabarito do exercício 01. d;

Gabarito do exercício 02. a;

Gabarito do exercício 03. F, V, V, F, V;

Gabarito do exercício 04. b;

Gabarito do exercício 05. a;

Gabarito do exercício 06. a;

Gabarito do exercício 07. b;

Gabarito do exercício 08. c;

Gabarito do exercício 09. d;

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