Os Tipos e os Gêneros Textuais Exercícios

Os Tipos e os Gêneros Textuais: (PUC Minas–2009)
Instrução: Para responder à questão, leia o trecho a seguir.


Trecho 1
Belo Horizonte, que lindo nome! Fiquei a repeti-lo e a enroscar-me na sua sonoridade. Era longo, sinuoso, tinha de pássaro e sua cauda repetia rimas belas e amenas. Fonte. Monte. Ponte. Era refrescante. Continha fáceis ascensões e aladas evasões. Sugeria associações cheias de nobreza na riqueza das homofonias. Belerofonte. Laocoonte. Caronte. Era bom de repetir – Belorizonte, Belorizonte, Belorizonte – e ir despojando aos poucos a palavra: das arestas de suas consoantes e ir deixando apenas suas vogais ondularem molemente. Belo Horizonte.
Belorizonte, Beoizonte Beoionte. Fui à nossa sala de visitas e apliquei no ouvido a concha mágica que me abria os caminhos da distância. Ouvi seu ruído helênico e o apelo longínquo – beoioooooo – prolongado como silvo dos trens que subiam de Caminho Novo acima, dobrando o canto dos apitos na pauta das noites divididas.
NAVA, Pedro.
Balão cativo. Ateliê, 2000. p. 85.

 

01. Os Tipos e os Gêneros Textuais: Em todas as alternativas, aparece descrição adequada do trabalho metalinguístico realizado pelo narrador personagem relativamente ao nome Belo Horizonte, EXCETO:
A) “Belo Horizonte, que lindo nome! Fiquei a repetilo e a enroscar-me na sua sonoridade. Era longo, sinuoso, tinha de pássaro e sua cauda repetia rimas belas e amenas. Fonte. Monte. Ponte.” (Constrói-se a definição do nome, realçando seu aspecto prosódico.)
B) “Sugeria associações cheias de nobreza na riqueza das homofonias.
Belerofonte. Laocoonte. Caronte.” (Além da homofonia, assegurada pela terminação “onte” nos nomes em negrito, pode-se identifcar um efeito polifônico, dada a evocação feita a figuras da mitologia grega.)
C) “Fonte. Monte. Ponte. Era refrescante. Continha fáceis ascensões e aladas evasões.” (A intenção do autor, em seu trabalho de escrita, foi explorar os vários sentidos que a palavra “Belo Horizonte” alcança, realçando-lhe o viés polissêmico da expressão.)
D) “Era bom de repetir – Belorizonte, Belorizonte, Belorizonte – e ir despojando aos poucos a palavra: das arestas de suas consoantes e ir deixando apenas suas vogais ondularem molemente. Belo Horizonte. Belorizonte, Beoizonte, Beoionte.” (O autor explora os efeitos sonoros provocados pela melodia do falar regional.)

 


Instrução: Para responder à questão, leia o trecho seguinte, que pertence a uma crônica de Paulo Mendes Campos, intitulada “Belo Horizonte”, publicada no Suplemento Literário, 261,  1998,  Secretaria de Cultura de Minas Gerais.


Trecho 2
Belo Horizonte é hoje para mim uma cidade soterrada. Em vinte anos eliminaram a minha cidade e edificaram uma cidade estranha. Para quem continuou morando lá, a amputação pode ter sido lenta, quase indolor; para mim foi cirurgia de urgência, a prestações, sem a inconsciência do anestésico. Enterraram a minha cidade e muito de mim com ela. Em nome do progresso municipal, enterraram as minhas casas; enterraram os pisos de pedra das minhas ruas; enterraram os meus bares; minhas moças bonitas; meus bondes; minhas livrarias; bancos de praça; folhagens; enterraram-me vivo na cidade morta. Por cima de nós construíram casas modernas, arranha-céus, agências bancárias; pintaram tudo, deceparam as árvores, demoliram, mudaram fachadas, acrescentaram varandas, disfarçaram de novas as casas velhas, muraram o espaço livre, reviraram jardins, mexeram por toda a parte com uma sanha cruenta. Como se tivessem o propósito de desorientar-me, de destruir tudo que me estendia uma ponte entre o que sou e o que fui. Ai, Belo Horizonte!

 

02. Os Tipos e os Gêneros Textuais: Sobre o trecho, todas as considerações estão corretas, EXCETO:
A) A narrativa que se constrói no trecho em estudo é caracteristicamente memorialística, cujo narrador traz à lembrança uma dada cidade para a qual tem um sentimento pleno de pertença e de posse.
B) Há, na narrativa, dois elementos linguísticos que desenham o lugar de onde fala o narrador em relação aos quadros narrados (as cidades): (a) hoje remete tanto ao momento em que narra suas memórias como ao tempo da cidade; (b) lá dimensiona o espaço, e, portanto, a distância em que se encontra o narrador do objeto narrado.
C) Emerge na narrativa a descrição de dois objetos extremamente distintos por uma oposição fundada na relação entre os seguintes signos: vida X morte; moderno X antigo; amputação lenta X cirurgia de urgência.
D) O narrador, tomado por um ressentimento muito forte em relação às ações da administração pública municipal, leva o leitor a entender que a sua saída da cidade deuse há mais de vinte anos, em virtude de um progresso que não leva em conta uma história da cidade.

 


Instrução: Responda à questão de acordo com o texto a seguir.


Trecho 3
Dessas marchas a pé havia uma que eu fazia com prazer. Era a da noite, indo para casa. Sempre só, seguia Afonso Pena pela beirada perfumosa do Parque ou pelo passeio fronteiro. Passava pela esquina de Seu Artur Haas e logo depois era um muro imenso até as paredes em construção da Delegacia Fiscal. Novo terreno baldio (ainda não havia Automóvel Clube). Depois era o Palácio da Justiça todo negro e fechado. Vinham as casas seguintes: A do Doutor Rodolfo Jacob; depois a deliciosa edifcação em que residiriam sucessivamente o
Dr. Francisco Peixoto, o Dr. Bolivar, a Dona Alice Neves, a quase igual do Dr. Balena. Em seguida o baldio, onde seria levantado o Conservatório Mineiro, a casa amarela do Maestro Flores […] Naquele ponto o céu era o mais longínquo do mundo e as estrelas palpitavam em alturas  inconcebíveis. Eu andava de um lado para o outro naavenida como imantado por tal ou qual polo de atração. […] Nas noites escuras ou de chuva, tomava Cláudio Manuel, Chumbo, logo acima da esquina de Palmira dava com o Louco da Noite sempre parado debaixo dum poste de iluminação, pasmo, recebendo aquela luz voltaica e as águas do céu – sem ir, vir, esconder-se, voltar, falar. Imóvel, fora do tempo, estuporado, catatônico. Todos temiam-no na Serra. Mas ele era tímido e manso.

NAVA, Pedro. Beira-Mar. Memórias 4. Nova Fronteira, 1985. p. 132.

 

03. Os Tipos e os Gêneros Textuais: Todas as considerações sobre o trecho 3 estão corretas, EXCETO:
A) No trecho em exame, predomina a argumentação, uma vez que o autor procura envolver o leitor com detalhes de uma paisagem construída na memória a partir de argumentos que remetem à história da ocupação do espaço urbano.
B) Nesse trecho, a narração utiliza-se de estratégias que não se voltam para relatar os acontecimentos, mas, sim, mostrá-los com precisão, de modo a apreender o interesse do leitor.
C) No curso da narrativa, emerge uma voz que parece dialogar com o leitor com o propósito de orientá-lo em relação aos objetos que compõem a paisagem descrita, conforme se pode observar em “Novo terreno baldio (ainda não havia Automóvel Clube)”.
D) O modo como o narrador se refere a alguns objetos, por exemplo, em passagens como “a Dona Alice Neves”, denota uma certa intimidade ou familiaridade entre ele e o objeto em foco. Esse efeito pode ser provocado pelo emprego do artigo definido antes de nomes de pessoas.

 

Instrução: Para responder à questão, leia os trechos de 1 a 4 e as considerações que se apresentam logo após o trecho 4.

Trecho 4
Noturno de Belo Horizonte
Dorme Belo Horizonte.
Seu corpo respira leve o aclive vagarento das ladeiras…
Não se escuta sequer o ruído das estrelas caminhando…
Mas os poros abertos da cidade
Aspiram com sensualidade com delícia
O ar da terra elevada.
Ar arejado batido nas pedras dos morros,
Varado através da água trançada das cachoeiras,
Ar que brota nas fontes com as águas
Por toda a parte de Minas Gerais.
ANDRADE, Mário de. Poesias completas.


I. Cada um dos trechos (1, 2, 3 e 4) apresenta uma leitura particular que o autor faz da cidade de Belo Horizonte. Em cada um deles, a partir de um ponto de vista, emerge uma cidade.
II. Quando lemos textos que leem a cidade, estamos partilhando de uma construção de sentido de um dado objeto, na qual está inscrito o modo como o autor desenha, mapeia a cidade, ou seja, apreende e representa tal objeto.
III. A descrição dos elementos físico-geográficos (a paisagem urbana) feita no universo do discurso literário pode ser talhada pela memória subjetiva, pela fabricação discursiva de um objeto, que difere daquela que se dá nos manuais de instrução da geografia ou de turismo.

 

04. A afirmativa está CORRETA em:
A) apenas I. C) apenas II e III.
B) apenas I e II. D) I, II e III.

 

05. Os Tipos e os Gêneros Textuais: (Enem–2009) Em Touro indomável, que a cinemateca lança esta semana nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, a dor maior e a violência verdadeira vêm dos demônios de La Motta – que fizeram dele tanto um astro no ringue como um homem fadado à destruição. Dirigida como um senso vertiginoso do destino de seu personagem, essa obra-prima de Martin Scorsese é daqueles filmes que falam à perfeição de seu tema (o boxe) para então transcendê-lo e tratar do que importa: aquilo que faz dos seres humanos apenas isso mesmo, humanos e tremendamente imperfeitos.
VEJA, 18 fev. 2009. (Adaptação).


Ao escolher este gênero textual, o produtor do texto objetivou:
A) construir uma apreciação irônica do filme.
B) evidenciar argumentos contrários ao filme de Scorsese.
C) elaborar uma narrativa com descrição de tipos literários.
D) apresentar ao leitor um painel da obra e se posicionar criticamente.
E) afirmar que o filme transcende o seu objetivo inicial e, por isso, perde sua qualidade.

 

Noções de Texto Simulado com Gabarito.

 

Instrução: Responda às questões de 06 a 10 de acordo com  o texto a seguir. Volte a ele sempre que necessário.


Rede
O diário corresponde, na fala, à conversa, com os próprios botões. Mas não se pode conversar apenas com botões. Inclusive, aprende-se a falar pela observação dos outros, pelo interesse nos outros. A conversa consigo mesmo, da qual as crianças são mestras, indica claramente a presença da falta. Um tanto paradoxal esta expressão: “presença da falta”.

Porém, precisa. A falta que todo homem carrega consigo o tempo todo, tanto dos outros quanto daquele que ele podia ser mas ainda não é, se faz uma presença viva, perceptível no papo das crianças com seus amigos imaginários, no sonho dos adultos com seus desejos frustrados, na insônia dos apaixonados em suas camas de solteiro. A falta que todo homem carrega consigo o tempo todo é aquela que explica e dá sentido a boa parte dos seus atos e lapsos.

Eis a palavra, testemunhando a ausência e a falta.A falta depositada nos diários testemunha a falta do auto-conhecimento e, é claro, a necessidade da auto-afirmação. Mas não nos falta apenas conhecer-nos.  Falta-nos conhecer todos e tudo. Logo, não se escrevem única e exclusivamente diários. Escrevem-se bilhetes, cartas, artigos de jornal, livros e discursos públicos, a
cada texto se marcando a presença de determinada falta.
Quando então o ato muda.
O diário afirma o indivíduo para si mesmo. Uma carta já o afirma para outro sujeito, e daí se tem de pensar neste outro no momento da escrita, uma vez que ele passou a fazer parte do ato. O outro, ao adentrar o espaço da comunicação, modifica radicalmente o texto: no visual, no estilo, na seqüência, nas informações.
Por sua vez, um artigo de jornal, ou um capítulo teórico como este, buscam bem mais de um outro só, buscam muitos outros leitores (quanto mais melhor).
Todos estes outros, desejados e possíveis, invadem e transformam / transtornam a mensagem, e não poderia ser de outro modo. Tudo o que existe cobra a sua existência. Se existe um leitor, pelo simples fato de existir, ele estará cobrando seu espaço no texto, na carta – cobrando que a coisa se escreva de modo que ele entenda (ele, e talvez mais ninguém, pois por enquanto tratamos de uma carta), que ele sinta e possa responder. Da mesma maneira, se existem mil leitores, pelo simples e inusitado (no Brasil) fato de existirem, eles estarão cobrando seu espaço no artigo, no livro teórico, no romance – cobrando que a coisa se escreva de modo a que se entenda, e se sinta, e mexa por dentro, e cobrando que se diga algo que ainda não tenha sido dito, para valer a pena.
Por exemplo: não vou escrever este livro à moda de diário (ninguém deve estar muito interessado se tomei café com leite ou não de manhã cedo, nem se eu consegui acordar cedo). Também não vou escrevê-lo à moda de uma carta (o que eu sinto e penso de pessoas muito  especiais não será da conta de outras tantas que eu quero ver lendo este livro). Entretanto, se eu souber bem que isto daqui é nem diário nem carta, posso, por breves parágrafos, fngir que estou falando comigo mesmo, ou fingir que estou falando com aquele leitor (leitora…) como
se fosse o único (única). Será uma técnica esperta, e perfeitamente legítima, de romper a monotonia da teoria e fazer um carinho verbal no leitor (na leitora!). Em geral, o leitor ou leitora não devem ser os únicos (senão, este livro virou um
best-seller às avessas). Mas, no momento em que lêem, são eles (vocês) unicamente que me lêem, e eu devo contar tanto com o geral, buscando ser claro e agradável a muitos, quanto com o particular, buscando ser fino e pessoal àquele e àquela (a você). Portanto, a diferença de quantidade (no caso, de leitores) gera diferença na qualidade (no caso, no modo de dispor palavras e idéias). […]
Atenção: uma teoria, uma dissertação, não é diametralmente oposta a um diário ou a uma carta. Ao contrário, traz consigo as funções do diário (auto-conhecimento e auto-afirmação) e as funções da carta (procura de alguém, procura de ouvido, espelho e reflexo). Acrescenta-lhes outras na soma que transforma o texto. Escrever para o outro, ou para outros, continua
representando o ato de afirmar-se, firmando no papel as próprias idéias. Além disso, implica considerar atentamente a existência alheia. E a consideração da existência alheia passa pelo esforço de facilitar o acesso geral às idéias próprias em questão.
Com licença: quem sabe, sabe se explicar. Todo mundo que escreve deve deixar para o leitor o esforço de pensar sobre o que leu, e não o sacrifício de adivinhar o que se queria ter dito – este é o ponto.
Enfatizo, no entanto, uma coisa: preocupar-se com o leitor representa preocupar-se com o seu entendimento preciso, mas não equivale a subordinar-se humilhantemente, não equivale a escrever apenas o que o outro quer ver escrito. Escritor e leitor não são o mesmo sujeito, são sujeitos diferentes e a diferença deve  ser, além de respeitada, ainda defendida com unhas,
dentes e verbos.
A necessidade da preocupação com o outro anda junto com a necessidade da auto-afirmação. As duas necessidades não se podem negar, sob pena de não se atender nem a uma nem à outra. O outro precisa de mim e eu preciso do outro, porque ambos precisamos da diferença. A diferença é o referencial único para sabermos que somos únicos, originais, e talvez especiais para alguém. O outro não precisa que eu fale o que ele quer ouvir, pois isto ele mesmo já se disse. Ele não precisa somente do seu espelho. Precisa, sim, muito de um reflexo – do reflexo inesperado que estabelece a diferença entre os diferentes. Precisa se reconhecer diferente, para acalmar a angústia daquela pergunta primeira: “quem sou eu?”. Quem se fala afrma a si mesmo no ato da fala e da escrita, firmando idéias e estilos pessoais, justinho para entregar ao outro o que o outro não tem – mas precisa demais.
Uma redação, assim, nunca é um produto acabado, pronto para ser entregue ao mestre e por este enquadrada no conceito devido (ou indevido). Antes, será redação: ação de tecer a rede dos acontecimentos e dos relacionamentos, guardando o acontecido na memória verbal das gerações, pescando o acontecível no extenso lago das faltas e ausências testemunhadas pelas palavras daqueles que falam e se falam.
BERNARDO, Gustavo. Redação inquieta. Rio de Janeiro: Globo, 1991. p. 15-17.


06. Os Tipos e os Gêneros Textuais: Com relação aos cinco primeiros parágrafos do texto “Rede”, só se pode afirmar que
A) a palavra ou, mais especificamente, o uso da linguagem verbal oral e / ou escrita indica uma característica essencial do ser humano: a falta. De um lado, pode-se dizer que ele não tem um conhecimento completo de si mesmo e que essa ausência o incomoda; de outro, pode-se afirmar que ele conhece apenas parcialmente o mundo que o cerca.
B) segundo o autor, o ato de escrever representa a falta que caracteriza todo ser humano, justamente porque se escreve para que se possa conhecer aquilo que ainda não se sabe; por esse motivo é que foram criados os bilhetes, as cartas, os artigos de jornal e os livros.
C) o ato de falar, que, segundo o autor, corresponde ao diário, pode ser considerado como um ato que indica a falta, pois, para preencher o vazio que todos possuímos, temos a necessidade de dialogar, sobretudo com os próprios botões.
D) conforme o raciocínio do autor, tanto as crianças como os adultos sentem a falta, mas, enquanto a criança a manifesta por meio de jogos com amigos imaginários, o adulto procura resolvê-la apenas nos sonhos e na solidão da noite.
E) a produção de um diário pode ser considerada como a marca mais explícita de uma característica humana – a falta –, já que ele corresponde, na escrita, à fala. Assim, se falamos com os outros para nos conhecermos melhor, com o diário procuramos autoafirmação.

 

 

07. Os Tipos e os Gêneros Textuais: Assinale a alternativa que apresente ideias VERDADEIRAS sobre o texto.
A) O texto nos leva a crer que, no diário, o outro é o próprio autor; há, portanto, uma contradição entre o que se diz aí e a afirmação subsequente de que “o outro, ao adentrar o espaço da comunicação, modifica radicalmente o texto”.
B) O autor de um texto, segundo Gustavo Bernardo, deve levar em conta o leitor ao elaborar sua produção escrita; é exatamente por esse motivo que se pode concluir que o leitor intervém já no momento da produção textual.
C) O raciocínio do autor de que o outro está presente na estrutura de qualquer texto que produzimos leva obrigatoriamente à conclusão de que a dificuldade de se escreverem artigos de jornais deve ser explicada pelo fato de que, nos jornais, há muitos outros aos quais o autor deve se dirigir.
D) Segundo o autor, os diários não são de interesse público porque tratam de assuntos banais, que dizem respeito às atividades cotidianas, enquanto as cartas não devem ser impressas em livros porque não teriam leitores interessados.
E) Embora a dissertação seja considerada pelo autorcomo o texto apropriado para que sejam veiculadas as teorias, esta guardaria com a carta e com o diário algumas similaridades, pois todas as suas funções recobririam as características desses outros textos.

 


08. Os Tipos e os Gêneros Textuais: Leia atentamente os trechos a seguir:
I. Por sua vez, um artigo de jornal, ou um capítulo teórico como este, buscam […] (esse)
II. Por exemplo: não vou escrever este livro à moda do diário […] (esse)
III. Em geral, o leitor ou leitora não devem ser os únicos (senão, este livro virou um
best-seller às avessas). (esse)
A substituição do pronome grifado pelo que se encontra entre parênteses poderia, se considerássemos a orientação da gramática tradicional, provocar alteração do sentido original em:
A) I, apenas.
B) II, apenas.
C) III, apenas.
D) II e III, apenas.
E) I, II e III.

 


09. Os Tipos e os Gêneros Textuais: Assinale a alternativa em que a alteração de pontuação proposta para o trecho acarreta mudança de sentido.
A) Uma redação, assim, nunca é um produto acabado, pronto para ser entregue ao mestre e por este enquadrada no conceito devido (ou indevido).

Uma redação assim nunca é um produto acabado, pronto para ser entregue ao mestre e por este enquadrada no conceito devido (ou indevido).
B) Quem se fala afirma a si mesmo no ato da fala e da escrita, firmando ideias e estilos pessoais, justinho para entregar ao outro o que o outro não tem – mas precisa demais.

Quem se fala afirma a si mesmo no ato da fala e da escrita, firmando ideias e estilos pessoais, justinho para entregar ao outro o que o outro não tem, mas precisa demais.
C) O diário corresponde, na fala, à conversa, com os próprios botões.

O diário corresponde, na fala, à conversa com os próprios botões.
D) Será uma técnica esperta, e perfeitamente legítima, de romper a monotonia da teoria e fazer um carinho verbal no leitor (na leitora!).
Será uma técnica esperta – e perfeitamente legítima – de romper a monotonia da teoria e fazer um carinho verbal no leitor (na leitora!).
E) Mas não nos falta apenas conhecer-nos. Falta-nos conhecer todos e tudo.
Mas não nos falta apenas conhecer-nos; falta-nos conhecer todos e tudo.

 


10. Os Tipos e os Gêneros Textuais: Leia o trecho a seguir e observe o que se diz sobre os momentos de produção e de recepção do discurso. Todas as informações contidas entre parênteses estão de acordo com o(s) momento(s) a que se refere o trecho transcrito do texto “Rede”, EXCETO:


[…] não se pode distinguir estritamente entre condições de produção e condições de recepção do discurso. Isto é, embora, de fato, o momento da escrita de um texto e o momento de sua leitura sejam distintos, na escrita já está inscrito o leitor e, na leitura, o leitor interage com o autor do texto.
ORLANDI, Eni Pulcinelli.
A linguagem e seu funcionamento. São Paulo: Brasiliense, 1983. p. 167.


A) O outro, ao adentrar o espaço da comunicação, modifca radicalmente o texto: no visual, no estilo, na sequência, nas informações. (produção e recepção)
B) Se existe um leitor, pelo simples fato de existir, ele estará cobrando seu espaço no texto, na carta […] (produção e recepção)
C) […] e eu devo contar tanto com o geral, buscando ser claro e agradável a muitos, quanto particular, buscando ser fino e pessoal àquele e àquela (você). (produção)
D) Escritor e leitor não são o mesmo sujeito, são sujeitos diferentes e a diferença deve ser, além de respeitada, ainda defendida com unhas, dentes e verbos. (produção e recepção)
E) Todo mundo que escreve deve deixar para o leitor o esforço de pensar sobre o que leu, e não o sacrifício de adivinhar o que se queria ter dito – este é o ponto. (recepção)

 

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Gabarito com as respostas das questões de Português sobre Os Tipos e os Gêneros Textuais:

01. C; 04. D; 07. B; 10. A
02. D; 05. ; 08. E;
03. A; 06. A; 09. A;

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