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Exercícios sobre Argumentação e Contra-Argumentação

Argumentação e Contra-Argumentação: (UFPE–2010 / Adaptado)
Instrução: Texto para as questões de 01 a 06.

Texto I
No ano 2000, os líderes mundiais acordaram um conjunto de metas para estimular avanços visando à concretização, até 2015, do que estava previsto no tratado Educação para Todos (ou EFA, na sigla em inglês), proposto durante o último Fórum Mundial sobre a Educação, promovido pela Unesco. Entretanto, pesquisas recentes mostram que, a meio caminho de 2015, os governos ainda estão deixando de atender às crianças e aos adultos analfabetos.
Hoje, ainda existem 774 milhões de adultos desprovidos do grau mais rudimentar de alfabetização, e 72 milhões de crianças estão fora da escola. Para ajudar a sustentar suas famílias, muitas precisam trabalhar, frequentemente em condições desesperadoramente perigosas e insalubres: segundo a Organização Mundial do Trabalho, 111 milhões de crianças trabalham em “atividades de risco”. As crianças portadoras de deficiências, as de comunidades étnicas minoritárias e as que são doentes de AIDS ou soropositivas enfrentam ainda outros obstáculos para chegar à escola.
A Campanha Global pela Educação (ou GCE, na sigla em inglês) divulgou no ano passado um relatório em que atribui “notas” de A a F a todos os governos, segundo seu desempenho até hoje no tocante à educação. Os governos que obtiveram as melhores “notas” incluem os da Letônia e do Uruguai, enquanto o fundo da classe é ocupado por Haiti, Somália e Guiné-Bissau. Os países mais ricos também foram avaliados quanto ao cumprimento da promessa com relação ao EFA. Enquanto a Noruega e a Holanda ocupam o topo do
ranking, os países do G8 são os piores quando se trata de dar o financiamento prometido para a educação, e os EUA são o último colocado em sua “classe do G8”.
Mas as evidências também indicam que muito pode ser realizado quando os governos priorizam a política educacional. Nos últimos 18 anos, vários países em desenvolvimento conseguiram avanços importantes na ampliação do Ensino Fundamental, entre os quais se destacam Costa Rica, Cuba, México, Sri Lanka e Tailândia. E avanços notáveis têm sido conseguidos em alguns dos contextos mais difíceis: milhões de crianças passaram a frequentar a escola em países como Quênia, Camarões, Botsuana e Burundi, nos quais, nos últimos anos, os governos eliminaram as mensalidades escolares.

O Brasil faz parte dos 20 primeiros países do ranking mundial, graças aos esforços feitos aqui, sobretudo por meio da pressão de organizações sociais e da sociedade civil. Com 2015 chegando cada vez mais perto, a GCE leva adiante sua campanha de pressão global e espera que os movimentos sociais brasileiros e os líderes dos  governos continuem a dar um bom exemplo e a defender a causa do bem global nessa questão de importância tão vital.
Acreditamos que as histórias de êxitos vão inspirar outros líderes de países em desenvolvimento a redobrar seus esforços. Também estamos convencidos de que mostrar o que pode ser conseguido com a vontade política certa, respaldada por recursos, pode envergonhar os doadores, levando-os a cumprir suas promessas. O ano de 2008 foi o 60º desde a Declaração dos Direitos Humanos, da ONU. Vamos nos assegurar de que a geração que vai nascer a partir desse ano possa finalmente crescer com a luz e a esperança que a educação traz à vida de cada um.
SATYARTHI, Kailash. Disponível em: <http://www. cenpec.org.br/modules/news/article.php?storyid580>. Acesso em: 03 mar. 2009 (Adaptação).

 

01. Argumentação e Contra-Argumentação: Todo texto, falado ou escrito, cumpre um (ou, geralmente, mais de um) propósito comunicativo. Assinale a afirmativa VERDADEIRA quanto aos propósitos do texto mencionados em cada alternativa a seguir.
A) Entre outros propósitos, visa criticar os líderes mundiais por terem, em conjunto, estabelecido metas para estimular avanços na área educacional, até 2015.
B) Tem como um de seus objetivos conclamar os governantes a atuarem de maneira mais contundente, a fim de cumprirem as promessas feitas no ano 2000.
C) Intenciona, primordialmente, enaltecer o governo brasileiro, pela posição de destaque que o país tem logrado no
ranking mundial, no que tange à educação.
D) Cumpre a principal função de informar o leitor acerca dos pormenores do tratado Educação para Todos, proposto no Fórum Mundial sobre a Educação.

 


02. Argumentação e Contra-Argumentação: Para que o leitor compreenda o conteúdo global do texto I, deve valer-se tanto das informações que estão explícitas na superfície textual quanto daquelas que ficam implícitas. A esse respeito, analise as proposições a seguir e indique a alternativa CORRETA.
A) O texto afirma explicitamente que ser portador de AIDS é condição impeditiva para que as crianças alcancem o nível mínimo de escolaridade.
B) Está implícita no texto a informação de que os investimentos em educação têm sido diretamente proporcionais à economia dos países mais ricos.
C) A informação de que o subdesenvolvimento é consequência óbvia da falta de prioridade na área educacional está explicitada no texto.
D) Ao longo do texto, vai-se evidenciando a ideia de que a educação é um direito de todos os cidadãos, a ser garantido pelo poder público.

 


03. Argumentação e Contra-Argumentação: Ao longo do texto I, a autora vai deixando “pistas” para o leitor, acerca do seu posicionamento diante das informações sobre as quais está discorrendo. Com isso em mente, analise as proposições a seguir e indique a opção INCORRETA.
A) No segundo parágrafo, a autora deixa “pistas” de sua posição favorável ao trabalho infantil, desde que este seja um meio de as crianças ajudarem no sustento de suas famílias.
B) Após apresentar dados negativos, no terceiro parágrafo, a autora demonstra acreditar no êxito de investimentos na área educacional, crença que transparece no quarto parágrafo.
C) No quinto parágrafo, ao mencionar a realidade brasileira, a autora expressa aprovação e contentamento diante da atitude de organizações sociais e da sociedade civil do nosso país.
D) Apesar dos dados impressionantes apresentados no texto, a conclusão revela que a autora acredita na possibilidade de mudanças proporcionadas por avanços na área educacional.

 


04. Argumentação e Contra-Argumentação: No processo de interação autor-texto-leitor, que ocorre por meio da leitura, o leitor vai tirando algumas conclusões. Essas conclusões, entretanto, precisam ser autorizadas pelo texto que está sendo lido. O texto I, por exemplo, NÃO autoriza o leitor a concluir que:
A) vontade política desprovida de recursos é insuficiente para que os líderes garantam o cumprimento das metas acordadas no EFA.
B) experiências positivas de uma nação, na área educacional, podem ser exemplares para que outras ampliem seus investimentos nessa área.
C) é importante, para o êxito do EFA, que as sociedades civis dos Estados se mobilizem, no sentido de pressionar seus líderes a investirem em educação.
D) os avanços já alcançados pelo Brasil são prova inequívoca de que ele conseguirá cumprir integralmente as metas do EFA, até 2015.

 


05. Argumentação e Contra-Argumentação: A fim de construir sua argumentação, a autora do texto I recorre a algumas estratégias, dentre as quais se evidencia, EXCETO:
A) a presença de afirmações respaldadas em dados empíricos.
B) a referência a instituições ou a entidades de renome.
C) a apresentação de opiniões de autoridades, em discurso direto.
D) a divulgação de dados numéricos, obtidos em pesquisas.

 

Atividades sobre Estratégias Argumentativas na Elaboração de Textos.

 

06. Argumentação e Contra-Argumentação: Podemos observar que, na elaboração do texto I, a autora optou por atender às exigências da norma padrão. Essa opção NÃO justifica, por exemplo
A) o sinal indicativo de crase no trecho: “os líderes mundiais acordaram um conjunto de metas para estimular avanços visando à concretização, até 2015, do que estava previsto no tratado Educação para Todos”, em consonância com o que prescreve a norma acerca da regência do verbo “visar”, quando ele tem sentido de “objetivar”.
B) a forma plural do verbo, no trecho: “Hoje, ainda existem 774 milhões de adultos desprovidos do grau mais rudimentar de alfabetização”, pois a norma prescreve que o verbo “existir”, assim como “haver” e “ter”, devem ser flexionados no plural, em concordância com um sujeito plural posposto.
C) a forma de 3ª pessoa do plural do verbo, no trecho: “e os EUA são o último colocado em sua ‘classe do G8’.”, pois o sujeito, embora se refira a um único país, aparece determinado por um artigo no plural.
D) a forma oblíqua do pronome no trecho: “mostrar o que pode ser conseguido com a vontade política certa, respaldada por recursos, pode envergonhar os doadores, levando-os a cumprir suas promessas”, que, tendo como referente o termo “doadores”, está exercendo a função de complemento do verbo “levar”.

 

 

07. Argumentação e Contra-Argumentação: (Enem–2009)
Apesar da ciência, ainda é possível acreditar no sopro divino – o momento em que o Criador deu vida até ao mais insignificante dos micro-organismos?
Resposta de Dom Odilo Scherer, Cardeal Arcebispo de São Paulo, nomeado pelo Papa Bento XVI em 2007: “Claro que sim. Estaremos falando sempre que, em algum momento, começou a existir algo, para poder evoluir em seguida. O ato do criador precede a possibilidade de evolução: só evolui algo que existe. Do nada, nada surge e evolui.”
LIMA, Eduardo. “Testemunha de Deus”. Superinteressante, São Paulo, n. 263-A, p. 9, mar. 2009 (Adaptação).


Resposta de Daniel Dennet, filósofo americano ateu e evolucionista radical, formado em Harvard e Doutor por Oxford:
“É claro que é possível, assim como se pode acreditar que um super-homem veio para a Terra há 530 milhões de anos e ajustou o DNA da fauna cambriana,  provocando a explosão da vida daquele período. Mas não há razão para crer em fantasias desse tipo.”
LIMA, Eduardo. “Advogado do Diabo”. Superinteressante, São Paulo, n. 263-A, p. 11, mar. 2009 (Adaptação).

Os dois entrevistados responderam a questões idênticas, e as respostas a uma delas foram reproduzidas aqui. Tais respostas revelam opiniões opostas: um defende a existência de Deus e o outro não concorda com isso. Para defender seu ponto de vista:
A) o religioso ataca a ciência, desqualificando a Teoria da Evolução, e o ateu apresenta comprovações científicas dessa teoria para derrubar a ideia de que Deus existe.
B) Scherer impõe sua opinião, pela expressão “claro que sim”, por se considerar autoridade competente para definir o assunto, enquanto Dennett expressa dúvida, com expressões como “é possível”, assumindo não ter opinião formada.
C) o arcebispo critica a teoria do
Design Inteligente, pondo em dúvida a existência de Deus, e o ateu argumenta com base no fato de que algo só pode evoluir se, antes, existir.
D) o arcebispo usa uma lacuna da ciência para defender a existência de Deus, enquanto o filósofo faz uma ironia, sugerindo que qualquer coisa inventada poderia preencher essa lacuna.
E) o filósofo utiliza dados históricos em sua argumentação, ao afirmar que a crença em Deus é algo primitivo, criado na época cambriana, enquanto o religiosobaseia sua argumentação no fato de que algumas coisas podem “surgir do nada”.

 

 

Instrução: Texto para as questões 08 e 09.
Texto II

08. Argumentação e Contra-Argumentação: Todo texto se insere em um contexto sociocultural, que, de certa maneira, o justifica e explica. A respeito do texto II, só NÃO é possível afirmar que:
A) demonstra a preocupação do poder público com a saúde de uma parcela significativa de brasileiros, que, supostamente, não recorre a uma alimentação de qualidade.
B) ratifica a hipótese de que muitos brasileiros têm perdido a tradição de comer feijão com arroz e escolhido outros alimentos na hora das refeições.
C) embora as imagens apresentem apenas jovens, o cartaz supõe leitores de qualquer faixa etária cujos hábitos alimentares sejam pouco saudáveis.
D) representa, claramente, um esforço do governo brasileiro no sentido de preservar antigas tradições alimentares e, com isso, coibir a importação de culturas estrangeiras.

 


09. Argumentação e Contra-Argumentação: A análise dos elementos linguísticos que compõem o texto II NÃO nos permite afirmar que:
A) o fato de o verbo “comer”, no início do cartaz, estar em sua forma imperativa confere à mensagem um tom categórico.
B) em “seu ritmo de vida”, o pronome se refere a qualquer leitor do texto, e tem a função de criar envolvimento.
C) no
slogan “Feijão com arroz – é Brasil que dá gosto”, fica clara a intenção de se jogar com a polissemia da expressão “dá gosto”.
D) no trecho: “Combine feijão e arroz com os alimentos que você gosta”, a ausência da preposição “de” antes do pronome relativo revela a opção do autor por aproximar o texto da linguagem dos jovens.

 

🔵 >>> Confira nossa lista com todos os exercícios de Português.

 

Gabarito com as respostas das questões de Português sobre Argumentação e Contra-Argumentação:

01. B; 02. D; 03. A; 04. D; 05. C; 06. B; 07. D; 08. D; 09. D;

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