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Funções da Linguagem Exercícios com Gabarito – 02

01. Funções da Linguagem Exercícios: (UNIFESP–2006)
Este inferno de amar
Este inferno de amar – como eu amo!
Quem mo pôs aqui n’alma… quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é a vida – e que a vida destrói –
Como é que se veio a atear,
Quando – ai quando se há-de ela apagar?
Almeida Garrett


Nos versos de Garrett, predomina a função:
A) metalinguística da linguagem, com extrema valorização da subjetividade no jogo entre o espiritual e o profano.
B) apelativa da linguagem, num jogo de sentido pelo qual o poeta transmite uma forma idealizada de amor.
C) referencial da linguagem, privilegiando-se a expressão de forma racional.
D) emotiva da linguagem, marcada pela não contenção dos sentimentos, dando vazão ao subjetivismo.
E) fática da linguagem, utilizada para expressar as ideias de forma evasiva, como sugestões.

 

 

02. Funções da Linguagem Exercícios: (FGV-SP) Leia o seguinte texto de Ubirajara Inácio de Araújo.

Todo texto é uma sequência de informações: do início até o fim, há um percurso acumulativo delas. Às informações já conhecidas, outras novas vão sendo acrescidas e estas, depois de conhecidas, terão a si outras novas acrescidas e, assim, sucessivamente. A construção do texto flui como um ir e vir de informações, uma troca constante entre o dado e o novo.


É CORRETO afirmar que, nesse texto, predominam:
A) função referencial e gênero do tipo dissertativo.
B) função fática e gênero de conteúdo didático.
C) função poética e gênero do tipo narrativo.
D) função expressiva e gênero de conteúdo dramático.
E) função conativa e gênero de conteúdo lírico.

 


03. Funções da Linguagem Exercícios: (PUC-SP) Observe a seguinte afirmação feita:

Em nossa civilização apressada, o “bom dia”, o “boa tarde” já não funcionam para engatar conversa. Qualquer assunto servindo, fala-se do tempo ou de futebol.

Ela faz referência à função da linguagem cuja meta é “quebrar o gelo”. Indique a alternativa que explicita essa função.
A) Função emotiva D) Função conativa
B) Função referencial E) Função poética
C) Função fática

 


04. Funções da Linguagem Exercícios: (UNIFESP) Observe os seguintes textos.
Texto I
Perante a Morte empalidece e treme,
Treme perante a Morte, empalidece.
Coroa-te de lágrimas, esquece
O Mal cruel que nos abismos geme.
Cruz e Sousa, “Perante a morte”.

Texto II
Tu choraste em presença da morte?
Na presença de estranhos choraste?
Não descende o cobarde do forte;
Pois choraste, meu flho não és!
Gonçalves Dias, “I-Juca Pirama”.

Texto III
Corrente, que do peito destilada,
Sois por dous belos olhos despedida;
E por carmim correndo dividida,
Deixais o ser, levais a cor mudada.
Gregório de Matos, “Aos mesmos sentimentos”.

Texto IV
Chora, irmão pequeno, chora,
Porque chegou o momento da dor.
A própria dor é uma felicidade…
Mário de Andrade, “Rito do irmão pequeno”.

Texto V
Meu Deus! Meu Deus! Mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?!…
Silêncio! … Musa! Chora, chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto…
Castro Alves, “O navio negreiro”.

 

Dois dos cinco textos transcritos expressam sentimentos de incontida revolta diante de situações inaceitáveis. Esse transbordamento sentimental se faz por meio de frases e recursos linguísticos que dão ênfase à função emotiva e à função conativa da linguagem. Esses dois textos são:
A) I e IV. D) III e V.
B) II e III. E) IV e V.
C) II e V.

 


05. Funções da Linguagem Exercícios: (UFU-MG)
Estou farto do lirismo comedido
do lirismo bem comportado
[…] Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos
clowns de Shakespeare
– Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
BANDEIRA, Manuel. Libertinagem.

Em relação aos versos citados do poema “Poética” e à obra Libertinagem, de Manuel Bandeira, marque a assertiva INCORRETA:
A) Para Bandeira, o poema deve equivaler a um gesto de confidência, em que o poeta revela ao leitor sua perplexidade diante do mundo. O caráter genuinamente lírico e libertário de seu poema adequa-se ao uso de versos livres, libertos da rima, da métrica e da monotonia das cesuras iguais.
B) Na poesia de Bandeira, a emoção lírica manifesta-se melhor por meio de versos metrificados, em estrofes regulares, obedecendo a um esquema de rimas constante. O lirismo decorre, portanto, de processos retóricos em que se observa a contenção do sentimento.
C) A poesia lírica não é uma experiência fora da história. Nesses versos, Bandeira define seu lugar na sociedade identificando-se com os excluídos. É deste lugar marginal que ele busca compreender a cisão social e a crise psíquica, que marcam a existência do homem moderno.
D) Bandeira se inclui entre os poetas que atuam como testemunhas do sofrimento da humanidade, sendo a dor do próximo um de seus temas. Destituída de intenção política, contudo, esta atitude de inclusão nos revela sua compaixão pelos humildes, característica de sua poesia.

 

Exercícios sobre Argumentação e Contra-Argumentação.


06. Funções da Linguagem Exercícios: (UFV-MG) Leia as passagens seguintes, extraídas de São Bernardo, de Graciliano Ramos.
I. Resolvi estabelecer-me aqui na minha terra, município de Viçosa, Alagoas, e logo planeei adquirir a propriedade S. Bernardo, onde trabalhei, no eito, com salário de cinco tostões.
II. Uma semana depois, à tardinha, eu, que ali estava aboletado desde meio-dia, tomava café e conversava, bastante satisfeito.
III. João Nogueira queria o romance em língua de Camões, com períodos formados de trás para diante.

IV. Já viram como perdemos tempo em padecimentos inúteis? Não era melhor que fôssemos como os bois? Bois com inteligência. Haverá estupidez maior que atormentar-se um vivente por gosto? Será? Não será? Para que isso? Procurar dissabores! Será? Não será?
V. Foi assim que sempre se fez. [respondeu Azevedo Gondim] A literatura é a literatura, seu Paulo. A gente discute, briga, trata de negócios naturalmente, mas arranjar palavras com tinta é outra coisa. Se eu fosse escrever como falo, ninguém me lia.

Assinale a alternativa em que ambas as passagens demonstram o exercício de metalinguagem em São Bernardo:
A) III e V C) I e IV E) II e V
B) I e II D) III e IV

 


07. Funções da Linguagem Exercícios: (UEL-PR) Leia o poema seguinte.

Catar feijão
Catar feijão se limita com escrever:
jogam-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na da folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.
Ora, nesse catar feijão entra um risco:
o de que entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a com o risco.
MELO NETO, João Cabral de. Os melhores poemas de João Cabral de Melo Neto. São Paulo: Global, 1985. p. 190.

Sobre o poema, é CORRETO afirmar que:
A) sua referência ao feijão é um exemplo do registro coloquial do autor, identificando-o com as práticas modernistas de Mário de Andrade e Oswald de Andrade e seus poemas-piadas.
B) há um exercício metalinguístico incomum nos poemas do autor, que prefere valorizar temáticas regionalistas em que sobressai o sertão pernambucano.
C) retoma a palavra “pedra”, frequentemente utilizada na obra poética do autor, associando-a com a palavra “risco”, explorada primeiro como um perigo, um problema e depois como algo fascinante.
D) a “leitura fluviante, flutual” deve ser preservada através das pedras no ato de escrever, embora elas devam ser afastadas do feijão.
E) o “grão imastigável” no feijão é um elemento tão positivo quanto a pedra na frase; comprovam-no os termos “fluviante” e “flutual”, que destacam o caráter de leitura fluente proporcionada pela presença da pedra.

 

 

08. Funções da Linguagem Exercícios: (UFV-MG) Leia atentamente o poema seguinte, de João Cabral de Melo Neto.

A educação pela pedra
Uma educação pela pedra: por lições;
para aprender da pedra, freqüentá-la;
captar sua voz inenfática, impessoal
(pela de dicção ela começa as aulas).
A lição de moral, sua resistência fria
ao que flui e a fluir, a ser maleada;
a de poética, sua carnadura concreta;
a de economia, seu adensar-se compacta:
lições de pedra (de fora para dentro,
cartilha muda), para quem soletrá-la.
Outra educação pela pedra: no Sertão
(de dentro para fora, e pré-didática).
No Sertão a pedra não sabe lecionar,
e se lecionasse não ensinaria nada;
lá não se aprende a pedra: lá a pedra,
uma pedra de nascença, entranha a alma.
MELO NETO, João Cabral de. A educação pela pedra.Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996. p. 21.


Assinale a alternativa que NÃO traduz uma leitura possível do poema:
A) O poeta apreende da pedra a própria vivência na vida agreste do Sertão: de austeridade, resistência silenciosa e sempre capaz de dar lições de vida e de poesia.
B) Os versos metalinguísticos revelam a própria poética cabralina: concreta, impessoal, concisa, embora profundamente social.
C) Ao partir do pressuposto de que a pedra é muda, e, portanto, não ensina nada, o poeta suscita uma reflexão sobre a situação educacional precária no Nordeste.
D) O eu lírico também apreende da pedra os próprios versos enxutos, num esforço de dissecação de quaisquer sentimentalismos.
E) No poema, de intensa economia verbal, a pedra faz-se metáfora da paisagem do Sertão, que “entranha a alma”, e espelha o fazer poético do autor pernambucano.

 

 

09. Funções da Linguagem Exercícios: (Enem–2009)

Isto
Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda
Essa coisa que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!
PESSOA, Fernando. Poemas escolhidos.São Paulo: Globo, 1997.

Fernando Pessoa é um dos poetas mais extraordinários do século XX. Sua obsessão pelo fazer poético não encontrou limites. Pessoa viveu mais no plano criativo do que no plano concreto, e criar foi a grande finalidade de sua vida. Poeta da “Geração Orfeu”, assumiu uma atitude irreverente.
Com base no texto e na temática do poema “Isto”, conclui-se que o autor:
A) revela seu conflito emotivo em relação ao processo de escritura do texto.
B) considera fundamental para a poesia a influência dos fatos sociais.
C) associa o modo de composição do poema ao estado de alma do poeta.
D) apresenta a concepção do Romantismo quanto à expressão da voz do poeta.
E) separa os sentimentos do poeta da voz que fala no texto, ou seja, do eu lírico.

 


10. Funções da Linguagem Exercícios: (Enem–2009)
Som de preto
O nosso som não tem idade, não tem raça
E não tem cor.
Mas a sociedade pra gente não dá valor.
Só querem nos criticar, pensam que somos animais.
Se existia o lado ruim, hoje não existe mais,
porque o “funkeiro” de hoje em dia caiu na real.
Essa história de “porrada”, isso é coisa banal
Agora pare e pense, se liga na “responsa”:
se ontem foi a tempestade, hoje vira a bonança.
É som de preto
De favelado
Mas quando toca ninguém fica parado

Música de Mc’s Amilcka e Chocolate. In: Dj Malboro. Bem funk. Rio de Janeiro, 2001 (Adaptação).

 

À medida que vem ganhando espaço na mídia, o funk carioca vem abandonando seu caráter local, associado às favelas e à criminalidade da cidade do Rio de Janeiro, tornando-se uma espécie de símbolo da marginalização das manifestações culturais das periferias em todo o Brasil. O verso que explicita essa marginalização é:
A) “O nosso som não tem idade, não tem raça”.
B) “Mas a sociedade pra gente não dá valor”.
C) “Se existia o lado ruim, hoje não existe mais”.
D) “Agora pare e pense, se liga na ‘reponsa’”.
E) “se ontem foi a tempestade, hoje vira a bonança”.

 

🔵 <<< Veja também a primeira parte desta lista de questões.

 

Confira nossa lista com todos os exercícios de Português.

 

Gabarito com as respostas das questões de português sobre Funções da Linguagem Exercícios:

01. D; 02. A; 03. C; 04. C; 05. B; 06. A; 07. C; 08. C; 09. E; 10. B

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