Variações Linguísticas Exercícios com Gabarito

Variações Linguísticas: Texto para as duas próximas atividades:

Errar é divino
Pode um escritor, em nome de sua arte, contrariar as regras da gramática? Essa é uma das principais questões levantadas pelo poeta português Fernando Pessoa em A Língua Portuguesa.
A língua existe para servir o indivíduo, e não para escravizá-lo, pensa o poeta. Sendo uma aventura intelectual, o ato de grafar não deveria submeter-se à vontade unificadora do Estado, assim como uma pessoa jamais deveria aceitar a imposição de uma religião que seu espírito recusasse. Esse tipo de postura gerou um impasse. De um lado, fcam os gramáticos, impondo normas. De outro, os artistas, clamando por liberdade.
A resposta à questão inicial é simples. Os artistas da língua não passam para a posteridade porque rompem com a norma, mas porque sabem tirar proveito da ruptura. A transgressão, para ser bem-sucedida, deve possuir função estrutural. Tanto no texto como no comportamento. Ela pode dar impressão de firmeza, de precisão, de ambiguidade, de ironia ou sugerir diversas coisas ao mesmo tempo. Na maioria dos casos, indica novas propostas para o futuro.
Pela perspectiva dos artistas, os gramáticos não passam de meros guardiães de uma inutilidade consagrada pelo poder constituído. Para eles, dominar a norma culta do idioma não excede, em valor, o conhecimento do código de trânsito, por natureza convencional e efêmero: num dia, certa rua dá mão; no outro, não dá: e, na próxima semana, pode ser que a mesma rua não exista. Observa-se o mesmo nas normas da gramática, que variam conforme as convenções gerais de cada época. Acontece que os artistas pretendem escrever para as gerações futuras.
TEIXEIRA, Ivan. Veja. São Paulo. p.148-149,21 abr. 1999. (Texto adaptado)

01. (UFMG) De acordo com o texto, é correto afirmar que:
a) a língua não oprime os artistas quando os submete à vontade do Estado.
b) os artistas revelam o caráter transitório da norma culta ao infringirem-na.
c) os escritores contrariam as regras gramaticais porque as desconhecem.
d) os gramáticos impõem normas para os artistas não as transgredirem.


02. Variações Linguísticas: (UFMG) De acordo com o texto, para Fernando Pessoa, a “língua existe para servir o indivíduo, e não para escravizá-lo”. Todas as seguintes afirmativas sustentam esse pensamento do poeta, exceto:

a) Essa ideia aponta para a valorização do rompimento bem-sucedido com a norma culta.
b) Essa ideia exalta a liberdade de criação do escritor em sua aventura intelectual.
c) Essa ideia gera um impasse entre os gramáticos, de um lado, e os artistas, de outro.
d) Essa ideia promove a norma culta como essência da transgressão gramatical.


03. Variações Linguísticas: (UFMG) Esta questão deve ser respondida com base na leitura dos dois textos anteriores. Volte a eles, se necessário. “Pode um escritor, em nome de sua arte, contrariar as regras da gramática?”

Assinale a alternativa em que o ponto de vista defendido no primeiro texto serve de argumento para se responder a essa questão, levantada no segundo texto.
a) Pode, porque há cidadãos alfabetizados que não fazem uso das normas gramaticais.
b) Pode, porque há uma diferença entre o “erro” propriamente dito e a renovação.
c) Pode, porque os puristas fiscalizam o uso do idioma e o poeta provoca mudanças.
d) Pode, porque os que atentam contra o idioma o fazem intencionalmente ou por ignorância.


04. Variações Linguísticas: (ENEM) A história da tribo Sapucaí, que traduziu para o idioma guarani os artefatos da era da computação que ganharam importância em sua vida, como mouse (que eles chamam de angojhá) e windows (oventã).

O índio Algemiro Potty (“flor”, em guarani) vive em uma casinha de pau a pique coberta de palha, na tribo sapucaí, em Angra dos Reis (RJ). Filho do cacique Verá Mirim (João da Silva), cozinha em fogão a lenha e prefere assar o peixe na folha de bananeira. Como muitos integrantes da sua tribo, Potty tenta resistir aos sedutores confortos da vida contemporânea, signos de uma aculturação que preferem evitar o quanto podem. A casa, sem divisórias de cômodos, tem como piso o chão de terra batida, e Potty não usa fogão a gás, geladeira ou outro aparelho doméstico. Mas com o computador, a conversa é diferente.

Quando a internet chegou àquela comunidade, que abriga em torno de 400 guaranis, há quatro anos, por meio de um projeto do Comitê para Democratização da Informática (CDI), em parceria com a ONG Rede Povos da Floresta e com antena cedida pela Star One (da Embratel), Potty e sua aldeia logo vislumbraram as possibilidades de comunicação que a web traz. Ele conta que usam a rede, por enquanto, somente para preparação e envio de documentos, mas perceberam que ela  pode ajudar na preservação da cultura indígena. A apropriação da rede se deu de forma gradual, mas os guaranis já incorporaram a novidade tecnológica ao seu estilo de vida. A importância da internet e da computação para eles está expressa num caso de rara incorporação: a do vocabulário. Um dia, o cacique da aldeia sapucaí me ligou. “A gente não está querendo chamar  computador de ‘computador’”. Sugeri  a eles que criassem uma palavra em guarani. E criaram aiú irú rive, “caixa pra acumular a língua”. Nós, brancos, usamos mouse, windows e outros termos, que eles começaram a adaptar para o idioma deles, como angojhá (rato), oventã (janela)  – conta Rodrigo Baggio, diretor do CDI. Disponível em: http://www.revistalingua.uol.com.br Acesso em: 22 jul. 2010.

O uso das novas tecnologias de informação e comunicação fez surgir uma série de novos termos que foram acolhidos na sociedade brasileira em sua forma original, como: mouse,  Windows, download, site, homepage, entre outros. O texto trata da adaptação de termos da informática à língua indígena como uma reação da tribo Sapucaí, o que revela

a) a possibilidade que o índio Potty vislumbrou em relação à comunicação que a web pode trazer a seu povo e à facilidade no envio de documentos e na conversação em tempo real.
b) o uso da internet para preparação e envio de documentos, bem como a contribuição para as atividades relacionadas aos trabalhos da cultura indígena.
c) a preservação da identidade, demonstrada pela conservação do idioma, mesmo com a utilização de novas tecnologias, características da cultura de outros grupos sociais.
d) adesão ao projeto Comitê para Democratização da Informática (CDI), que, em parceria com a ONG Rede Povos da Floresta, possibilitou o acesso à web, mesmo em ambiente inóspito.
e) a apropriação da nova tecnologia de forma gradual, evidente quando os guaranis incorporam a novidade tecnológica ao seu estilo de vida com a possibilidade de acesso à internet.


05. Variações Linguísticas: (Fuvest) Sou feliz pelos amigos que tenho. Um deles muito sofre pelo meu descuido com o vernáculo. Por alguns anos ele sistematicamente me enviava missivas eruditas com precisas informações sobre as regras da gramática, que eu não respeitava, e sobre a grafa correta dos vocábulos, que eu ignorava. Fi-lo sofrer pelo uso errado que fiz de uma palavra no último “Quarto de Badulaques”. Acontece que eu, acostumado a conversar com a gente das Minas Gerais, falei em “varreção” – do verbo “varrer”. De fato, tratava-se de um equívoco que, num vestibular, poderia me valer uma reprovação. Pois o meu amigo, paladino da língua portuguesa, se deu ao trabalho de fazer um xerox da página 827 do dicionário (…). O certo é “varrição”, e não “varreção”. Mas estou com medo de que os mineiros da roça façam troça de mim, porque nunca os ouvi falar de “varrição”. E se eles rirem de mim não vai me adiantar mostrar-lhes o xerox da página do dicionário (…). Porque para eles não é o dicionário que faz a língua. É o povo. E o povo, lá nas montanhas de Minas Gerais, fala “varreção”, quando não “barreção”. O que me deixa triste sobre esse amigo oculto é que nunca tenha dito nada sobre o que eu escrevo, se é bonito ou se é feio. Toma a minha sopa, não diz nada sobre ela, mas reclama sempre que o prato está rachado.
Rubem Alves
Disponível em: rubemalves.uol.com.br/quartodebadulaques

O amigo é chamado de “paladino da língua portuguesa” porque:
a) costuma escrever cartas em que aponta incorreções gramaticais do autor.
b) sofre com os constantes descuidos dos leitores de “Quarto de Badulaques”.
c) julga igualmente válidas todas as variedades da língua portuguesa.
d) comenta criteriosamente os conteúdos dos textos que o autor publica.
e) é tolerante com os equívocos que poderiam causar reprovação no vestibular.


06. Variações Linguísticas: (Fuvest) Procura da Poesia

Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
(…)
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
(…)
Carlos Drummond de Andrade, A rosa do povo.

A afirmação do caráter verbal da poesia e a incitação a que se penetre “no reino das palavras”, presentes no excerto, indicam que, para o poeta de A rosa do povo,
a) praticar a arte pela arte é a maneira mais eficaz de se opor ao mundo capitalista.
b) a procura da boa poesia começa pela estrita observância da variedade padrão da linguagem.
c) fazer poesia é produzir enigmas verbais que não podem nem devem ser interpretados.
d) as intenções sociais da poesia não a dispensam de ter em conta o que é próprio da linguagem.
e) os poemas metalinguísticos, nos quais a poesia fala apenas de si mesma, são superiores aos poemas que falam também de outros assuntos.

🔵 >>> Confira nossa lista com todos os exercícios de Língua Portuguesa.

Gabarito com as respostas do Exercícios de Língua Portuguesa sobre as Variações Linguísticas:

Resposta do exercício 01. b;

Resposta do exercício 02. d;

Resposta do exercício 03. b;

Resposta do exercício 04. c;

Resposta do exercício 05. a;

Resposta do exercício 06. d

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