Parnasianismo e Simbolismo Exercícios Resolvidos

01. Parnasianismo e Simbolismo: (Enem–2009)

Cárcere das almas

Ah! Toda a alma num cárcere anda presa,

Soluçando nas trevas, entre as grades

Do calabouço olhando imensidades,

Mares, estrelas, tardes, natureza.

Tudo se veste de uma igual grandeza

Quando a alma entre grilhões as liberdades

Sonha e, sonhando, as imortalidades

Rasga no etéreo o Espaço da Pureza.

Ó almas presas, mudas e fechadas

Nas prisões colossais e abandonadas,

Da Dor no calabouço, atroz, funéreo!

Nesses silêncios solitários, graves,

que chaveiro do Céu possui as chaves

para abrir-vos as portas do Mistério?!

SOUSA, Cruz e. Poesia completa. Florianópolis: Fundação Catarinense de Cultura / Fundação Banco do Brasil, 1993.

Os elementos formais e temáticos relacionados ao contexto cultural do Simbolismo encontrados no poema “Cárcere das almas”, de Cruz e Sousa, são:

A) a opção pela abordagem, em linguagem simples e direta, de temas filosóficos.

B) a prevalência do lirismo amoroso e intimista em relação à temática nacionalista.

C) o refinamento estético da forma poética e o tratamento metafísico de temas universais.

D) a evidente preocupação do eu lírico com a realidade social expressa em imagens poéticas inovadoras.

E) a liberdade formal da estrutura poética que dispensa a rima e a métrica tradicionais em favor de temas do cotidiano.

 

 

02. Parnasianismo e Simbolismo: (Enem–2003)

Epígrafe*

Murmúrio de água na clepsidra** gotejante,

Lentas gotas de som no relógio da torre,

Fio de areia na ampulheta vigilante,

Leve sombra azulando a pedra do quadrante***

Assim se escoa a hora, assim se vive e morre…

Homem, que fazes tu? Para que tanta lida,

Tão doidas ambições, tanto ódio e tanta ameaça?

Procuremos somente a Beleza, que a vida

É um punhado infantil de areia ressequida,

Um som de água ou de bronze e uma sombra que passa…

CASTRO, Eugênio de. Antologia pessoal da

poesia portuguesa.

(*) Epígrafe: inscrição colocada no ponto mais alto; tema.

(**) Clepsidra: relógio de água.

(***) Pedra do quadrante: parte superior de um relógio de sol.

 

Nesse poema, o que leva o poeta a questionar determinadas ações humanas (versos 6 e 7) é a:

A) infantilidade do ser humano.

B) destruição da natureza.

C) exaltação da violência.

D) inutilidade do trabalho.

E) brevidade da vida.

 

 

03. Parnasianismo e Simbolismo: (Enem–2009)

Ouvir estrelas

Ora, (direis) ouvir estrelas! Certo

perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,

que, para ouvi-las, muita vez desperto

e abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda noite, enquanto

a Via-Láctea, como um pálio aberto,

cintila. E, ao vir o Sol, saudoso e em pranto,

inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!

Que conversas com elas?” Que sentido

tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!

Pois só quem ama pode ter ouvido

Capaz de ouvir e de entender estrelas.

BILAC, Olavo. “Ouvir estrelas”. Tarde, 1919.

 

Ouvir estrelas

Ora, direis, ouvir estrelas! Vejo

que estás beirando a maluquice extrema.

No entanto o certo é que não perco o ensejo

De ouvi-las nos programas de cinema.

Não perco fita; e dir-vos-ei sem pejo

que mais eu gozo se escabroso é o tema.

Uma boca de estrela dando beijo

é, meu amigo, assunto p’ra um poema.

Direis agora: Mas, enfim, meu caro,

As estrelas que dizem? Que sentido

têm suas frases de sabor tão raro?

Amigo, aprende inglês para entendê-las,

Pois só sabendo inglês se tem ouvido

Capaz de ouvir e de entender estrelas.

TIGRE, Bastos. “Ouvir estrelas”. In: BECKER, I. Humor e humorismo: antologia. São Paulo: Brasiliense, 1961.

 

A partir da comparação entre os poemas, verifica-se que:

A) no texto de Bilac, a construção do eixo temático se deu em linguagem denotativa, enquanto no de Tigre, em linguagem conotativa.

B) no texto de Bilac, as estrelas são inacessíveis, distantes, e no texto de Tigre, são próximas, acessíveis aos que as ouvem e as entendem.

C) no texto de Tigre, a linguagem é mais formal, mais trabalhada, como se observa no uso de estruturas como “dir-vos-ei sem pejo” e “entendê-las”.

D) no texto de Tigre, percebe-se o uso da linguagem metalinguística no trecho “Uma boca de estrela dando beijo / é, meu amigo, assunto p’ra um poema”.

E) no texto de Tigre, a visão romântica apresentada para alcançar as estrelas é enfatizada na última estrofe de seu poema com a recomendação de compreensão de outras línguas.

 

 

04. Parnasianismo e Simbolismo: (UFRGS) Sobre o Simbolismo brasileiro é CORRETO afirmar que:

A) reelabora a fala popular carioca em curtos poemas de temática urbana repletos de elipses e de trocadilhos bilíngues.

B) retoma a temática romântica com ânimo satírico e polêmico, inclusive parodiando trechos de romances do século XIX.

C) explora a mitologia greco-latina e episódios da história antiga da Europa em sonetos descritivos com chave de ouro.

D) explora a sugestividade dos sons da língua em poemas que reportam sensações indefinidas e sentimentos vagos.

E) reelabora a musicalidade dos vocábulos com experiências em que as palavras são segmentadas e a frase parte-se em fragmentos.

 

 

05. Parnasianismo e Simbolismo: (UFF-RJ)

A Pátria

Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!

Criança! não verás nenhum país como este!

Olha que céu! que mar! que rios! que floresta!

A Natureza, aqui, perpetuamente em festa,

É um seio de mãe a transbordar carinhos.

Vê que vida há no chão! vê que vida há nos ninhos,

Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!

Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!

Vê que grande extensão de matas, onde impera

Fecunda e luminosa, a eterna primavera!

Boa terra! jamais negou a quem trabalha

O pão que mata a fome, o teto que agasalha…

Quem com o seu suor a fecunda e umedece,

Vê pago o seu esforço, e é feliz, e enriquece!

Criança! não verás país nenhum como este:

Imita na grandeza a terra em que nasceste!

Olavo Bilac

 

As estéticas literárias, embora costumem ser datadas nos livros didáticos com início e término pós-determinados, não se deixam aprisionar pela rigidez cronológica. Assinale o comentário adequado em relação à expressão estética do poema “A Pátria”, de Olavo Bilac (1865-1918).

A) O poema transcende a estética parnasiana ao tratar a temática da exaltação da terra, segundo a estética romântica.

B) O poema exemplifica os preceitos da estética parnasiana e valoriza a forma na expressão comedida do sentimento nacional.

C) O poema antecipa-se ao discurso crítico da identidade  nacional – tema central da estética modernista.

D) O poema insere-se nas fronteiras rígidas da estética parnasiana, dando ênfase à permanência do ideário estético, no eixo temporal das escolas literárias.

E) O poema reflete os valores essenciais e perenes da realidade, distanciando-se de um compromisso com a afirmação da nacionalidade.

 

Intertextualidade Exercícios com Gabarito.

 

06. Parnasianismo e Simbolismo: (ITA-SP)

Litania dos Pobres

Os miseráveis, os rotos

São as flores dos esgotos

São espectros implacáveis

Os rotos, os miseráveis.

São prantos negros de furnas

Caladas, mudas, soturnas.

São os grandes visionários

Dos abismos tumultuários.

As sombras das sombras mortas,

Cegos, a tatear nas portas.

Procurando os céus, aflitos

E varando os céus de gritos.

Inúteis, cansados braços

Mãos inquietas, estendidas.

Cruz e Sousa

 

Assinale a alternativa INCORRETA:

A) O tema poderia ser tomado pelo Realismo.

B) Para pertencer ao Naturalismo, há comiseração demais no poema.

C) Para ser de Castro Alves, falta arrebatamento, revolta.

D) A religiosidade (“procurando o céu” – v. 11) condiz mais com o Modernismo que com o Simbolismo.

E) O título “Litania” (ladainha) revela o lado místico.

 

 

07. Parnasianismo e Simbolismo: (UFES)

O Assinalado

Tu és o louco da imortal loucura,

O louco da loucura mais suprema.

A Terra é sempre a tua negra algema,

Prende-te nela a extrema Desventura.

Mas essa mesma algema de amargura,

Mas essa mesma Desventura extrema

Faz que tu’alma suplicando gema

E rebente em estrelas de ternura.

Tu és o Poeta, o grande Assinalado

Que povoas o mundo despovoado,

De belezas eternas, pouco a pouco …

Na Natureza prodigiosa e rica

Toda a audácia dos nervos justifca

Os teus espasmos imortais de louco!

Cruz e Sousa

 

O poema anterior encontra-se na obra Últimos sonetos, de Cruz e Sousa, poeta cujo centenário de morte foi comemorado em 1998. Leia as afrmativas seguintes acerca do poema e assinale a alternativa CORRETA.

I. Ocorre hipérbole no verso 4; anáfora, nos versos 5 e 6; antítese, no verso 9; sinestesia, nos versos 13 e 14.

II. O poeta é considerado um ser diferente cuja alma, mesmo algemada à Terra, rebenta “em estrelas de ternura”.

III. O uso da letra maiúscula em substantivos comuns singulariza-os e empresta-lhes uma dimensão simbólica.

A) Apenas a afirmativa I está correta.

B) Apenas a afirmativa II está correta.

C) Apenas a afirmativa III está correta.

D) Apenas as afirmativas I e II estão corretas.

E) Apenas as afirmativas II e III estão corretas.

 

 

08. Parnasianismo e Simbolismo: (UEG-GO–2006)

Últimos versos

Na tristeza do céu, na tristeza do mar,

eu vi a lua cintilar.

Como seguia tranquilamente

por entre nuvens divinais!

Seguia tranquilamente

como se fora a minh’Alma,

silente,

calma,

cheia de ais.

A abóboda celeste,

que se reveste

de astros tão belos,

era um país repleto de castelos.

E a alva lua, formosa castelã,

seguia

envolta num sudário alvíssimo de lã,

como se fosse

a mais que pura Virgem Maria…

Lua serena, tão suave e doce,

do meu eterno cismar,

anda dentro de ti a mágoa imensa

do meu olhar!

GUIMARAENS, Alphonsus de. Melhores poemas. Seleção de Alphonsus de Guimaraens Filho. São Paulo: Global, 2001. p. 161.

 

Entre as características poéticas de Alphonsus de Guimaraens, predomina, no poema apresentado:

A) o diálogo com a amada.

B) o poema-profanação.

C) as imagens de morte.

D) o poema-oração.

 

 

Parnasianismo e Simbolismo: (UNESP–2010)

Instrução: A questão de número 09 toma por base um poema do parnasiano brasileiro Julio César da Silva (1872-1936).

Arte suprema

Tal como Pigmalião, a minha idéia

Visto na pedra: talho-a, domo-a, bato-a;

E ante os meus olhos e a vaidade fátua

Surge, formosa e nua, Galateia.

Mais um retoque, uns golpes… e remato-a;

Digo-lhe: “Fala!”, ao ver em cada veia

Sangue rubro, que a cora e aformoseia…

E a estátua não falou, porque era estátua.

Bem haja o verso, em cuja enorme escala

Falam todas as vozes do universo,

E ao qual também arte nenhuma iguala:

Quer mesquinho e sem cor, quer amplo e terso,

Em vão não é que eu digo ao verso: “Fala!”

E ele fala-me sempre, porque é verso.

SILVA, Júlio César da. Arte de amar. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1961.

 

 

09. Parnasianismo e Simbolismo: O soneto “Arte suprema” apresenta as características comuns da poesia parnasiana. Assinale a alternativa em que as características descritas se referem ao Parnasianismo.

A) Busca da objetividade, preocupação acentuada com o apuro formal, com a rima, o ritmo, a escolha dos vocábulos, a composição e a técnica do poema.

B) Tendência para a humanização do sobrenatural, com a oposição entre o homem voltado para Deus e o homem voltado para a terra.

C) Poesia caracterizada pelo escapismo, ou seja, pela fuga do mundo real para um mundo ideal caracterizado pelo sonho, pela solidão, pelas emoções pessoais.

D) Predomínio dos sentimentos sobre a razão, gosto pelas ruínas e pela atmosfera de mistério.

E) Poesia impregnada de religiosidade e que faz uso recorrente de sinestesias.

 

 

10. Parnasianismo e Simbolismo: (PUCPR–2010) Leia o poema a seguir, de Cruz e Sousa, para responder à questão.

Sinfonias do ocaso

Musselinosas como brumas diurnas

descem do ocaso as sombras harmoniosas,

sombras veladas e musselinosas para as

profundas solidões noturnas.

Sacrários virgens, sacrossantas urnas,

os céus resplendem de sidéreas rosas,

da Lua e das Estrelas majestosas

iluminando a escuridão das furnas.

Ah! por estes sinfônicos ocasos

a terra exala aromas de áureos vasos,

incensos de turíbulos divinos.

Os plenilúnios mórbidos vaporam …

E como que no Azul plangem e choram

cítaras, harpas, bandolins, violinos …

 

I. O uso de maiúsculas no poema remete a uma característica da poesia simbolista.

II. A temática do soneto não é simbolista.

III. A sinestesia está presente nos tercetos do soneto.

IV. Os versos “Ó Formas alvas, brancas, Formas claras / De luares, de neves, de neblinas”, do poema “Antífona”, apresentam vocabulário que remete ao mesmo campo semântico de brumas e plenilúnios.

A) Apenas as assertivas I e II estão corretas.

B) Apenas as assertivas I, III e IV estão corretas.

C) Apenas a assertiva I está correta.

D) Todas as assertivas estão corretas.

E) Apenas a assertiva II está correta.

 

🔵 >>> Confira nossa lista com todos os exercícios de Português.

 

Gabarito com as respostas das questões de Português sobre Parnasianismo e Simbolismo:

01. C; 02. E; 03. D; 04. D; 05. A; 06. D; 07. E; 08. C; 09. A; 10. B

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