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Texto Dissertativo-argumentativo Atividades

Texto Dissertativo-argumentativo: (UFJF-MG–2006)
instrução: Leia, com atenção, o fragmento seguinte, selecionado do texto “A impostura da neutralidade”, de eugênio Bucci, publicado em Sobre ética e imprensa, São Paulo: Companhia das Letras, 2000. p. 96-98.

Texto 1
A impostura da neutralidade
01 […] Assim como atribuiu um sinal negativo à presença de emoção no relato jornalístico, ou exatamente por causa disso, o senso comum acalenta o ideal da objetividade sobre-humana; imagina que o bom repórter é inteiramente imune às crenças, às convicções e às paixões. O repórter ideal seria o que não torcesse para nenhum time de futebol, não tivesse suas pequenas predileções eróticas, nem seus fetiches, nem seus  pecados, que não professasse nenhuma fé, que não tivesse inclinações políticas e nenhum tipo de identificação étnica ou cultural. No mínimo, o repórter ideal é aquele que parece “neutro”. Sendo “neutro”, ele não favorecerá um dos ângulos de sua história e, conseqüentemente, será mais confiável. Eis a síntese do bom jornalismo segundo a mitificação do senso comum. A própria liturgia do ofício jornalístico parece ainda estar envolta no mito da neutralidade.
02 esse mito, que se converte numa perniciosa impostura, já foi devidamente desmascarado por autores e por jornalistas das mais diversas formações. em
A ética no jornalismo, Philip Meyer cita uma frase de Katherine Carlton McAdams (ganhadora do Prêmio Carol Burnette – University of hawaii – AeJMC para jornais de estudantes sobre ética jornalística) que dá uma boa síntese do drama do profissional: “Os jornalistas são pessoas reais que vivem em famílias, votam e torcem pelo time local […] espera-se que todas as lealdades pessoais sejam postas de lado quando se está atuando num papel profissional – mas […] os jornalistas nunca podem estar seguros de até que ponto são influenciados por fatores pessoais que controlam percepções e predisposições”. Meyer ironiza a pretensão da neutralidade: “ela presume a postura do ‘homem-de-Marte’, o estado de alheamento total”. Não raro, a fantasia de “homem-de-Marte” acaba ajudando a erguer uma trágica impostura, que põe em risco a base democrática do jornalismo. O paulistano Cláudio Abramo (1923-1987), um dos jornalistas que desenhou a face da imprensa brasileira no século XX, que atuou na modernização do Estado de S. Paulo nos anos 1950 (assumiu a Secretaria de Redação do jornal aos trinta anos) e da Folha de S. Paulo, da qual foi diretor de redação nos anos 1970, também combateu esse mito:
03 “A noção segundo a qual o jornalista é uma espécie à parte na humanidade, o
Homo informens, se nos for permitida tal liberalidade, é não apenas desprovida de racionalidade como desprovida de moral e, se adotada, levaria os jornalistas a se considerarem acima do bem e do mal, ou, de outra forma, se julgarem agentes absolutamente passivos na sociedade, como uma vassoura ou uma pistola automática.”
04 Mesmo assim, a impostura da neutralidade ainda constitui uma regra. e, como toda impostura, desinforma.
05 O pecado ético do jornalista não é trazer consigo convicções e talvez até preconceitos. Isso, todos temos. O pecado é não esclarecer para si e para os outros essas suas determinações íntimas, é escondê-las, posando de “neutro”. O pecado ético do jornalista, em suma, é falsear a sua relação com os fatos, tomando parte na impostura da neutralidade. esse falseamento – ainda muito comum – pode ser facilmente verificado, em três variantes básicas. A primeira variante é a ocultação involuntária, que consiste em fazer de conta que não se têm convicções ou preconceitos, ou que esses não interferem na objetividade possível. Resultam daí os relatos supostamente isentos, por trás dos quais o jornalista se esconde como se sua pessoa fosse um ente impessoal e como se a notícia não fosse também determinada pelo seu modo de olhar e de narrar. A máxima segundo a qual quem deve aparecer é o fato e não o jornalista reforça a ocultação involuntária. É claro que o repórter não deve disputar com a notícia a atenção do leitor, mas os sentidos e as habilidades, naturais ou treinadas, de quem cobre um fato (intuições, modos pessoais de olhar, repertório cultural) enriquecem, e não empobrecem, a narrativa que será levada ao público. esconder tudo isso é empobrecer o jornalismo como ofício e enfraquecê-lo como instituição social.
06 A segunda variante pela qual o jornalista simula neutralidade pode ser chamada de ocultação deliberada. Mais própria de editores e repórteres de maior patente, ela consiste em mascarar convicções e preconceitos sob a aparência de informação objetiva, contrabandeando, assim, para o público, concepções pessoais como se fossem informações objetivas. A ocultação deliberada se beneficia da crença do público de que a neutralidade é possível e, além de não esclarecer ninguém sobre os fatos (pois, propositadamente, transmite uma versão
montada dos fatos como se fossem os fatos falando por si mesmos), alimenta ainda mais o mito do jornalista neutro. Por fim, a terceira variante é a ocultação determinada pela servidão voluntária. Acontece mais entre aqueles que “vestem a camisa” não da empresa, mas do chefe. De preferência, já suada. Os que vestem a camisa do chefe anulam voluntariamente sua visão crítica em nome do cargo, do salário, da ambição ou do medo, e assumem para si os valores, as convicções e os preconceitos de quem está no comando.
07 As três variantes se alternam e se completam, produzindo a desinformação não apenas no público, mas também ao longo da linha de produção da notícia. […]

 


01. O principal objetivo comunicativo do texto é:
A) defender a neutralidade e a isenção do bom jornalista.
B) apresentar os motivos que fazem com que um jornalista seja neutro.
C) discutir a ideia de neutralidade dentro do campo jornalístico.
D) identificar as dificuldades dos jornalistas na relação com seus chefes.
E) criticar os jornalistas que não se mantêm neutros em seu trabalho.

 


02. Texto Dissertativo-argumentativo: A principal tese apresentada no fragmento lido é a de que:
A) a insistência na neutralidade do jornalista pode provocar prejuízos à informação.
B) o jornalista precisa se manter acima do bem e do mal em seu trabalho.
C) há consenso sobre a noção de neutralidade em jornalismo.
D) o compromisso com a objetividade deve sobrepor-se às observações pessoais no jornalismo.
E) os jornalistas precisam ser f éis à notícia antes de serem fiéis a si mesmos e a seus chefes.

 


03. Leia, com atenção, as afirmativas seguintes.
I. A noção de neutralidade no jornalismo é defendida apenas pelo senso comum.
II. O ponto semelhante entre as figuras do “Homemde-Marte” e do “
Homo informens” é o fato de ambos serem grupos à parte dos humanos.
III. Toda notícia é, por f m, determinada pela maneira de olhar e de narrar de um jornalista.
IV. No jornalismo atual, não é mais cobrada a neutralidade e a isenção do jornalista.
V. Vender a visão pessoal de um fato como sendo um fato objetivo corresponde à chamada estratégia de ocultação criminosa do fato.
Com base no texto lido, pode-se afirmar que:
A) todas as afirmativas estão corretas.
B) apenas as afirmativas III e IV estão corretas.
C) as afirmativas I, II e IV estão corretas.
D) as afirmativas II, III e V estão corretas.
E) as afirmativas II e III estão corretas.

 


04. Texto Dissertativo-argumentativo: entre os fatores seguintes, qual NÃO foi mencionado por Bucci como fator que afeta explicitamente o fazer jornalístico?
A) As crenças e convicções do jornalista.
B) As predileções políticas e pessoais do jornalista.
C) A necessidade de agradar ao chefe.
D) O compromisso com a neutralidade.
E) As imposições de diagramação gráfica.

 

 

05. Texto Dissertativo-argumentativo: Leia o fragmento destacado:
[…] O pecado ético do jornalista não é trazer consigo convicções e talvez até preconceitos. Isso, todos temos.
5º parágrafo

Com base na leitura do texto, é possível inferir, desse fragmento, que:
A) todos nós temos os preconceitos específicos dos jornalistas.
B) todos os jornalistas podem pecar contra a ética.
C) os jornalistas, incluindo Bucci, não estão ligados às suas ideologias.
D) Bucci quer destacar que o pecado dos jornalistas é gravíssimo.
E) os preconceitos dos jornalistas são éticos.

 

Pronomes Pessoais Exercícios Resolvidos.


06. Texto Dissertativo-argumentativo: Entre todas as sentenças a seguir, retiradas do texto lido, só não há enunciado metafórico em:
A) “[…] A própria liturgia do ofício jornalístico parece ainda estar envolta no mito da neutralidade.”
1º parágrafo

B) “Em A ética no jornalismo, Philip Meyer cita uma frase de Katherine Carlton McAdams (ganhadora do Prêmio Carol Burnette – University of hawaii – AeJMC para jornais de estudantes sobre ética jornalística). […] ”
2º parágrafo

C) “[…] ou, de outra forma, se julgarem agentes absolutamente passivos na sociedade, como uma vassoura ou uma pistola automática.”
3º parágrafo

D) “[…] o senso comum acalenta o ideal da objetividade sobre-humana, imagina que o bom repórter […]”
1º parágrafo

E) “[…] Mais própria de editores e repórteres de maior patente, ela consiste em mascarar convicções […]”
6º parágrafo

 


instrução: Leia, agora, o texto II, de Carlos heitor Cony, intitulado “A lâmpada de Érico”, publicado na Folha de S. Paulo, em sua edição de 12 de junho de 2005.


Texto 2
A lâmpada de Érico
RIO DE JANEIRO – Convidado para participar em Porto Alegre de um debate sobre a obra de Érico Veríssimo, cujo centenário de nascimento comemora-se neste ano, andei relendo alguns de seus livros que considero mais importantes. e deparei-me com uma cena e um comentário que muito me impressionaram em Solo de clarineta, que são suas memórias.
Filho de um dono de farmácia em Cruz Alta (RS), farmácia que, nas cidades do interior, funciona como único pronto-socorro da coletividade. Ali chegou um homem gravemente ferido, com o abdome aberto, por onde saíam os intestinos, muito sangue e pus. era noite, o homem estava morrendo. Chamaram Érico, mal saído da infância, para segurar uma lâmpada que iluminasse o ferimento que deveria ser operado por um médico de emergência.
O menino teve engulhos, f cou enojado, mas agüentou firme, segurando a lâmpada, ajudando a salvar uma vida. Em sua autobiografia, ele recorda aquela noite e comenta:

“Desde que, adulto, comecei a escrever romances, tem-me animado até hoje a idéia de que o menos que um escritor pode fazer, numa época de atrocidades e injustiças como a nossa, é acender a sua lâmpada sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão, propícia aos ladrões, aos assassinos e aos tiranos. Sim, segurar a lâmpada, a despeito da náusea e do horror”.
Creio que não há, na literatura universal, uma imagem tão precisa sobre o ofício do escritor, principalmente do romancista. Leitores e críticos geralmente reclamam das passagens mais escabrosas, aparentemente de gosto duvidoso, de um romance, texto teatral, novela ou conto. Acusação feita à escola realista, na qual se destacaram Zola e Eça de Queiroz. No teatro, Nelson Rodrigues e até mesmo Shakespeare em alguns momentos, como na cena do porteiro de
Macbeth.
Érico acertou na veia (perdoem a imagem que está na moda). Ele também ergueu sua lâmpada e iluminou  parte da escuridão em que vivemos.

 

07. Texto Dissertativo-argumentativo: O principal objetivo comunicativo do texto é:
A) alertar o leitor sobre o centenário de nascimento de Érico Veríssimo.
B) relatar os principais acontecimentos da infância de Érico Veríssimo.
C) criticar a escola realista e os escritores a ela relacionados.
D) identif car exemplos de solidariedade e coragem dos gaúchos.
E) valorizar o compromisso do escritor com a realidade.

 


08. Texto Dissertativo-argumentativo: A respeito do comentário de Érico Veríssimo (4º parágrafo), é possível concluir que:
A) o escritor só precisa ater-se à realidade quando ela é cruel e injusta.
B) a tarefa do escritor é encobrir os ladrões, assassinos e tiranos escondidos na escuridão.
C) é compromisso de um escritor desnudar o seu mundo, compartilhando a realidade com seus leitores.
D) se a realidade é cruel e nauseante, o escritor precisa selecionar cuidadosamente o que vai mostrar em sua obra.
E) a literatura é a única maneira pela qual se pode livrar o mundo da escuridão.

 


09. Texto Dissertativo-argumentativo: Leia novamente:
[…] Ali chegou um homem gravemente ferido, com o abdome aberto, por onde saíam os intestinos, muito sangue e pus. Era noite, o homem estava morrendo. […] (2º parágrafo)

A inclusão da descrição detalhada do ferimento do homem, no contexto da crônica, pode ser justificada:
A) pela necessidade do autor de enfatizar a coragem e a valentia dos gaúchos.
B) pela vontade do autor de criar um exemplo de uma cena de gosto duvidoso.
C) pelo desejo do autor de descrever uma cena de forma romântica e detalhada, à maneira de Zola e Nelson Rodrigues.
D) pela intenção do autor de exemplificar o compromisso de Érico Veríssimo no relato realista das experiências que viveu.
E) pela falta de criatividade de Cony em modificar uma cena narrada por Veríssimo em suas memórias.

 

10. Texto Dissertativo-argumentativo: Leia novamente:
[…] Érico acertou na veia (perdoem a imagem que está na moda). […] (6º parágrafo)

Em “Érico acertou na veia”, destacado no enunciado, a expressão “acertou na veia” equivale a:
A) deu a volta por cima.
B) errou feio.
C) atingiu a artéria.
D) encontrou dificuldades.
E) compreendeu o processo.

 

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Gabarito com as respostas das questões de Português sobre Texto Dissertativo-argumentativo:

01. C; 02. A; 03. e; 04. e; 05. B;  06. B; 07. e; 08. C; 09. D; 10. e

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