Renascimento e Contra-Reforma Exercícios com Gabarito

01. Renascimento e Contra-Reforma: (FGV) “Nunca uma civilização dera tão grande lugar à pintura e à música, nem erguera ao céu tão altas cúpulas, nem elevara ao nível da alta literatura tantas línguas nacionais encerradas em tão exíguo espaço.
Nunca no passado da humanidade tinham surgido tantas invenções em tão pouco tempo. Pois, o Renascimento foi, especialmente, progresso técnico; deu ao homem do Ocidente maior domínio sobre um mundo mais bem conhecido. Ensinou-lhe a atravessar os oceanos, a fabricar ferro fundido, a servir-se das armas de fogo, a contar as horas com um motor, a imprimir, a utilizar dia-a-dia a letra de câmbio e o seguro marítimo”.
(DELUMEAU, Jean:A Civilização do Renascimento, vol.1, p.23.)

A respeito do Renascimento é correto afirmar:
a) O termo foi criado no século XVI por Giorgio Vasari e transmite uma visão depreciativa da cultura clássica e valorativa da cultura medieval.
b) As alterações culturais experimentadas durante o Renascimento limitaram-se a questões estéticas, completamente divorciadas das transformações sociais, políticas, religiosas e econômicas do período.
c) Cenas do Antigo Testamento, episódios da vida de Jesus, retratos de santos e mártires compunham os principais temas da arte renascentista, evidenciando uma perspectiva teocêntrica de valorização do sagrado.

d) A propagação da cultura renascentista esteve articulada ao impulso das atividades mercantis e ao  desenvolvimento da imprensa, que possibilitou a difusão em maior escala das obras literárias.
e) O Renascimento desenvolveu-se após a expansão industrial europeia e motivou uma atitude nostálgica com relação aos paraísos tropicais que passaram a ser retratados nas obras literárias, nas pinturas e nas composições musicais.


02. Renascimento e Contra-Reforma: (UERJ) Leia o texto escrito por Marsílio Ficino no século XV:
“Quem poderia negar que o homem possui quase o mesmo gênio que o Autor dos céus? E quem pode negar que o homem também poderia de algum modo criar os céus, obtivesse ele os instrumentos e o material celeste, pois até agora o faz, se bem que com um material diferente mas ainda segundo uma mesma ordem?”
(HELLER, Agnes. O homem do Renascimento. Lisboa: Presença, 1982.)

Explique uma característica da civilização do Renascimento evidenciada no texto.


03. Renascimento e Contra-Reforma: (UFF) “O Renascimento europeu retirou o véu que encobria o espírito e o fazer humanos na Idade Média. Sem esse véu, o homem pôde respirar um novo tempo e se aventurar na descoberta de si mesmo e do mundo que o rodeava. Pôde olhar as estrelas, percorrer os mar e oceanos, descobrir novas terras e gentes, observar seu corpo e debruçar-se sobre a natureza, percebendo suas forças físicas e químicas. A cada passo, o novo homem saía do mundo fechado medieval em direção ao universo infinito moderno. Aos poucos, novas formas de comunicação foram surgindo, engrandecendo as artes, as ciências e as literaturas. Galileu fechou com chave de ouro esse período quando disse que o livro da natureza estava escrito em caracteres matemáticos.”
(RODRIGUES, Antonio E. M. e FALCON, Francisco. Tempos Modernos. RJ: Civilização Brasileira, 2000. Adaptado.)

Assinale a opção que melhor interpreta as bases culturais do Renascimento europeu.
a) O Renascimento não é devedor de nenhuma cultura da Antiguidade. Sua base cultural foi a escolástica medieval que lhe forneceu condições transformadoras, elevando o pensamento renascentista aos cumes da teologia católica.
b) Um dos pilares das transformações renascentistas foi a Antiguidade clássica que, com sua sabedoria sobre o ser humano e a natureza, criou condições para a descoberta do homem como sujeito de ações e realizador de transformações, ao contrário do homem medieval, que se via apenas como extensão de Deus.

c) As artes, as ciências e as literaturas, evidências mais significativas da explosão criativa do Renascimento, só avançaram porque tinham, como única base cultural e filosófica, a sabedoria oriental trazida para a Europa, a partir do século XV, nos contatos entre as cidades italianas e Bizâncio.
d) O Renascimento é herdeiro da filosofa agostiniana, que deu como lema aos representantes desse novo tempo a célebre frase de Galileu “é dando que se
recebe”, origem das famosas academias renascentistas.
e) A cultura renascentista não conseguiu retirar, totalmente, o véu que cegava o homem medieval, que continuou a considerar-se mero realizador de um plano idealizado por Deus e a pensar que o universo, todo, era obra d’Ele.


04. Renascimento e Contra-Reforma: (FGV) Na ciência, na literatura e na pintura representaram o Renascimento moderno (século XV e XVI), respectivamente:

a) Kepler, André Vesálio e Rabelais.
b) Copérnico, Shakespeare e Morus.
c) Lavoisier, Cervantes e Goya.
d) Newton, Rubens e da Vinci.
e) André Vesálio, Camões e Rafael.


05. Renascimento e Contra-Reforma: (UFRRJ) -”Pois é possível, Senhor, que hão de ser vossas permissões argumentos contra vossa fé? (…) Que diga o herege (…) que Deus está holandês? (…). Já que o pérfdo calvinista dos sucessos que só lhe merecem nossos pecados faz argumento da religião, e se jacta insciente de ser sua a verdadeira, veja ele (…) de que parte está a verdade.”
(Pe. Antônio Vieira. Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal contra as da Holanda – 1640.)

O discurso de Vieira revela desespero diante do sucesso da empreitada da Companhia das Índias Ocidentais no Brasil até aquele momento, tanto mais que os holandeses traziam consigo a pregação religiosa da Reforma anticatólica. Partindo dessa constatação:
a) cite um aspecto da pregação calvinista divergente do pensamento católico.
b) aponte o principal objetivo dos holandeses na invasão ao Nordeste brasileiro em 1630.


06. Renascimento e Contra-Reforma: (FGV) “Votos da Companhia de Jesus. Que os membros consagrarão suas vidas ao constante serviço de Cristo e do Papa, lutarão sob a bandeira da cruz e  servirão ao Senhor e ao Pontífice romano como vigário de Deus na terra, de tal forma que executarão imediatamente e sem vacilação ou escusa tudo que o Pontífice reinante ou seus sucessores puderem ordenar-lhes para proveito das almas ou para a propagação da fé, e assim agirão em toda a Província aonde forem enviados, entre os turcos ou quaisquer outros infiéis, na Índia distante, assim como na região dos hereges cismáticos ou indivíduo de qualquer tipo.”

O texto acima está diretamente vinculado à(s):
a) Querela das Investiduras, disputa entre a igreja e os imperadores alemães (XI).
b) radicalização da igreja frente à ameaça do Cisma do Oriente e à criação da Ordem Jesuítica.
c) decisões do papa Inocêncio III (XIII) em constituir os Tribunais de Inquisição.
d) Cruzadas e à imposição da fé cristã aos inféiis (XI- XIII).
e) decisões do Concílio de Trento após as Reformas Protestantes (XVI).


07. Renascimento e Contra-Reforma: (Puc-Rio) A Europa do século XVI assistiu ao surgimento de novas religiões cristãs, dentre as quais destacam-se a Luterana, a Calvinista e a Anglicana. A despeito das características que conferem especificidade a cada uma delas, observam-se elementos que as aproximam entre si. Um desses elementos é a:

a) celebração dos cultos nas línguas faladas pelos fiéis.
b) ausência de hierarquia eclesiástica.
c) tolerância em relação às demais religiões cristãs.
d) afirmação da primazia da igreja sobre o Estado.
e) crítica às estruturas sociais vigentes.


08. Renascimento e Contra-Reforma: (UFRJ) “Nos últimos dias, recebemos duas notícias extraídas de uma só raiz venenosa, a intolerância. A primeira assustou pela violência […] das bombas  enviadas contra a anistia internacional e outros defensores dos direitos civis. A segunda estarreceu os cristãos, com o anúncio do texto ‘Dominus Iesus’ decretando o fim das árduas tentativas ecumênicas do Concílio Vaticano 2°. Não sei qual desses eventos ocasiona maior dor nas almas. As bombas crescem no solo fértil dos anátemas (maldições) religiosos, esse é o testemunho da história. Lendo os escritos emanados da Cúria Romana nesses últimos tempos, vemos um retorno ao séculos 16 e 17, época em que as fogueiras arderam em nome do amor. […] creio ser o novíssimo documento do Vaticano uma reiterada abertura à imposição de crenças, em desafio ao ensino de Paulo: ‘O temor da punição torna-se a nova regra, em prejuízo do dever da consciência’ (Romanos 13:5).”
Roberto Romano: “Os mestres da verdade..” in: Folha de São Paulo,Tendências/Debates. 11 de set. 2000.

Em 1545, diante da necessidade de fazer frente à expansão do protestantismo e de repensar as doutrinas e práticas da igreja católica, o papa Paulo III convocou o Concílio de Trento, que organizou a chamada Contra Reforma e cujas orientações guiaram os católicos durante séculos.
Em 1962, a convocação do Concílio Vaticano 2.° pelo papa João XXIII também pode ser vista como uma resposta às demandas que se colocavam para a igreja católica diante da nova realidade mundial no Pós Segunda Guerra.

a) Explique uma medida adotada pela Igreja Católica a partir do Concílio de Trento que teve por objetivo conter a expansão do protestantismo.
b) Identifique uma decisão tomada pelo Concílio Vaticano 2° que exemplifique a busca da Igreja em responder às demandas sociais do período.


09. Renascimento e Contra-Reforma: (PUC-Rio) “A ti, ó Adão, não te temos dado nem uma sede determinada, nem um aspecto peculiar (…) Eu te coloquei no centro do mundo, a fm de poderes inspecionar, daí, de todos os lados, da maneira mais cômoda, tudo que existe. Não te fizemos nem celeste, nem terreno, mortal ou imortal, de modo que assim, tu, por ti mesmo, qual modelador e escultor da própria imagem, segundo tua preferência e, por conseguinte, para tua glória, possas retratar a forma que gostarias de ostentar. Poderás descer ao nível dos seres embrutecidos; poderás, ao invés, por livre escolha de tua alma, subir aos patamares superiores que são divinos.”
(Pico della Mirandola. A dignidade do homem. (1486.)
O autor do texto acima, Pico della Mirandola, foi um dos defensores do humanismo cristão.

Assinale a afirmativa que não analisa corretamente as afirmações desse autor:
a) Na cosmologia dos humanistas cristãos, a ação divina de criação do universo teria delegado ao homem uma centralidade e uma inventividade subordinadas, por sua vez, à onisciência do Criador.
b) As ideias de Pico della Mirandola influenciaram as formulações de reformistas protestantes, em particular na elaboração do princípio da predestinação
da alma, defendido, entre outros, pelos calvinistas.
c) Os humanistas cristãos promoveram a defesa de uma concepção de natureza humana caracterizada, por um lado, pela imagem e semelhança com o Criador e, paralelamente, pela valorização do livre arbítrio.

d) O ideal de devoção de muitos humanistas cristãos enfatizava a capacidade humana de fazer-se a si próprio, exercitando a fé de forma individualizada e guiando sua conduta pela aplicação dos valores da ética cristã.
e) Os valores humanistas inspiraram autores renascentistas a formular duras críticas a membros da alta hierarquia da Igreja, cujas condutas contradiziam diretamente preceitos morais e dogmas do cristianismo.


10. Renascimento e Contra-Reforma: (UFV) O termo Renascimento tem origem nos textos evangélicos de São João e São Paulo, significando a ideia do segundo nascimento, o nascimento do homem novo ou o renascimento espiritual do homem para Deus. Na Idade Média, este sentido, permaneceu indicando a volta do homem a Deus. No entanto, quando utilizado para descrever o processo que teve início na Itália e se propagou pela Europa Ocidental, no final século XIV, adquiriu outros significados, tais como:

I. A renovação das concepções políticas do Estado e o resgate da ideia das origens naturais das instituições humanas.
II. A reprovação a todo e qualquer movimento de renovação religiosa que pregasse o retorno às fontes originais do cristianismo.
III. A reafirmação das concepções filosóficas humanistas, entre elas a valorização da cultura da Antiguidade clássica.
IV. A difusão do naturalismo e do interesse pela investigação empírica da natureza.
V. A crítica ao preceito do caráter divino do poder terreno e a adoção da prática de interferência do papado na política.

Dos significados adquiridos pelo termo Renascimento são corretos:
a) II, IV e V.
b) I, II e V.
c) II, III e IV.
d) I, II e III.
e) I, III e IV.


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Gabarito com as respostas dos exercícios sobre Renascimento e Contra-Reforma:

01. D;


02. No texto, destaca-se a visão humanista que defendia, numa perspectiva otimista, as potencialidades do homem, característica da civilização do Renascimento.


03. B;
04. E;


05. a) O calvinismo se baseia na predestinação que defende a acumulação material, o trabalho e a disciplina, como indícios da salvação divina, divergindo
do conceito de usura, cuja prática era considerado pecado.
b) Controlar a produção e o comércio do açúcar no Brasil, quando, durante a União Ibérica, a Espanha retirou os holandeses dos arrendamentos concedidos pela Coroa portuguesa.


06. E;
07. A;


08. a) O candidato deverá explicar uma medida adotada pela igreja católica a partir do Concílio de Trento que teve por objetivo conter a expansão do protestantismo, considerando:
a utilização de ordens religiosas como agentes da
“reconquista”, notadamente dos jesuítas e capuchinhos e com a fundação de missões na América e na Ásia.
a reorganização do Tribunal do Santo Ofício, encarregado de combater as heresias, o protestantismo e o judaísmo; a criação da Congregação do Índex, organização eclesiástica encarregada de publicar a relação dos livros contrários à doutrina e, portanto, de leitura proibida aos católicos.
b) A realização dos cultos em língua nacional, a utilização dos meios de comunicação para veiculação de ideias, a ampliação da participação dos leigos na vida religiosa, a definição por uma igreja democrática e ecumênica e o reconhecimento das liberdades religiosa e de consciência.

09. B;
10. E

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