Lista de Exercícios sobre os Povos e Reinos Africanos

01. Povos e Reinos Africanos: (PUC Rio–2008) Costumam alguns senhores dar aos escravos um dia em cada semana para plantarem para si, mandando algumas vezes com eles o feitor para que não se descuidem. E isto serve para que não padeçam fome, nem cerquem cada dia a casa de seu senhor pedindo-lhes a ração de farinha. Porém não lhes dar farinha nem dia para a plantarem, e querer que sirvam de sol a sol no partido, de dia e de noite com pouco descanso no engenho, como se admitirá no Tribunal de Deus sem castigo? ANTONIL. Cultura e opulência do Brasil por

suas drogas e minas, 1711.

A partir da citação anterior e de seus conhecimentos sobre a sociedade colonial da América Portuguesa, examine as afirmativas a seguir.

I. Na sociedade colonial, o prestígio social residia em ser senhor de terras e de homens, e a possibilidade de riqueza vinha da atividade comercial.

II. Os senhores de engenho permitiam que alguns de seus escravos possuíssem uma lavoura de subsistência, inclusive com direito à venda de excedentes.

III. Apesar da violência que marcava o cotidiano dos engenhos, os escravos conseguiram, em certa medida, criar e recriar laços culturais próprios, vários deles herdados de suas raízes africanas.

IV. Diante do risco de punições pelos senhores – surras, aprisionamento com correntes de ferro, aumento do trabalho, etc. – as tentativas de fugas escravas diminuíram ao longo do Período Colonial.

Assinale a alternativa CORRETA.

A) Somente as afirmativas I e II estão corretas.

B) Somente as afirmativas I e III estão corretas.

C) Somente as afirmativas I, II e III estão corretas.

D) Somente as afirmativas II, III e IV estão corretas.

E) Todas as afirmativas estão corretas.

 

 

02. (UFAC–2011) Com a leitura dos dois textos seguintes, que analisam a escravidão, fica demonstrado que:

Texto I

Na simbologia européia da Idade Média, a cor branca estava associada ao dia, à inocência, à virgindade; já a cor preta representava a noite, os demônios, a tristeza e a maldição divina. Essa dicotomia entre branco e preto, claro e escuro, foi transferida pelos europeus para os seres humanos quando os portugueses chegaram à África em meados do século XV. […] Assim, a pigmentação escura da pele foi inicialmente apontada como uma doença ou um desvio da norma. Como os africanos apresentavam ainda traços físicos, crenças religiosas, costumes e hábitos culturais diferentes dos que predominavam na Europa, autores europeus passaram a caracterizá-los como seres situados entre os humanos e os animais. Todas essas visões eurocêntricas fizeram com que os negros fossem considerados culturalmente inferiores e propensos à escravidão […]

AZEVEDO, Gislane Campos; SERIACOPI, Reinaldo. História. São Paulo: Ática, 2008. p. 199.

Texto II

Desde os cinco anos merecera eu a alcunha de ‘menino diabo’; e verdadeiramente não era outra coisa; fui dos mais malignos do meu tempo, arguto, indiscreto, traquinas e voluntarioso. Por exemplo, um dia quebrei a cabeça de uma escrava, porque me negara uma colher do doce de coco que estava fazendo, e, não contente com o malefício, deitei um punhado de cinza ao tacho, e, não satisfeito da travessura, fui dizer à minha mãe que a escrava é que estragara o doce ‘por pirraça’; e eu tinha apenas seis anos. Prudêncio, um moleque de casa, era o meu cavalo de todos os dias; punha as mãos no chão, recebia um cordel nos queixos, à guisa de freio, eu trepava-lhe ao dorso, com uma varinha na mão, fustigava-o, dava mil voltas a um e outro lado, e ele obedecia – algumas vezes gemendo – mas obedecia sem dizer palavra, ou, quando muito, um – ‘ai, nhonhô!’

– ao que eu retorquia: – ‘Cala a boca, besta!’

ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás-Cubas. São Paulo: Globo, 2008. p. 62.

A) No texto I, apresenta-se o etnocentrismo como elemento de justificação do tráfico negreiro. Ao passo que, no texto II, demonstram-se as relações de dominação dos escravos dentro dos espaços domésticos brasileiros durante o Período Imperial.

B) A chegada dos portugueses à África, no século XV, foi pontuada por um estranhamento cultural, religioso e físico, marcado no texto I. Enquanto que, no século XVI, no Período Imperial brasileiro, de que trata o texto II, ocorria plena e pacífica integração social entre negros e brancos.

C) Ambos os textos pontuam os estranhamentos culturais entre brancos europeus e negros afro-brasileiros, que culminaram com a substituição total do trabalho de escravos africanos pela força de trabalho dos “negros da terra”.

D) O texto I expõe perspectivas eurocêntricas, em que se justifica a escravidão do africano por ser diferente do branco europeu. Ideia que é retomada no texto II, na obra de Machado de Assis, que apresenta o defunto narrador como abolicionista.

E) Tanto no texto I quanto no texto II, percebe-se a preocupação dos autores em expor os tratamentos respeitosos a que eram submetidos os povos com características físicas e culturais diferentes dos europeus.

 

 

03. Povos e Reinos Africanos: (Unicamp-SP) Um dos maiores problemas nos estudos históricos no Brasil acerca da escravidão é seu relativo desconhecimento da história e da cultura africanas. Aí, a história do Congo tem muitas lições a dar, quer para os interessados no estudo da África, quer para os estudiosos da escravidão e da cultura negra na diáspora colonial. Afinal, a região do Congo-Angola foi daquelas que mais forneceram africanos para o Brasil, especialmente para o Sudeste, posição assumida no século XVII e consolidada na virada do século XVIII para o XIX.

VAINFAS, Ronaldo; SOUZA, Marina de Mello e. Catolização e poder no tempo do tráfico: o reino do Congo da conversão coroada ao movimento Antoniano, séculos XV-XVIII, Tempo. n. 6, 1998. p. 95-96 (Adaptação).

A) O que foi a diáspora colonial citada no texto anterior?

B) IDENTIFIQUE duas influências africanas no Brasil atual.

C) NOMEIE e EXPLIQUE, no Brasil atual, uma decorrência da prática da escravidão negra.

 

 

04. Povos e Reinos Africanos: (UFRN) Diversos documentos do Período Colonial nos permitem afirmar que os negros reagiram à escravidão.

O fragmento textual a seguir se refere a algumas dessas atitudes dos escravos no Brasil, no século XVIII.

Já dei conta a V. Maj. em carta de 13 de junho do ano passado da soltura com que nestas minas viviam os negros, e especialmente os fugidos, que juntos nos mocambos se atreviam a fazer todo gênero de insultos sem receio do castigo e também ponderei a V. Maj., a importância desta matéria por me parecer com algum fundamento que poderia os negros encaminhar a fazer algumas operações semelhantes as dos Palmares de Pernambuco.

CARTA de 20 abr. 1712, do capitão-general da capitania de Minas Gerais, conde D. Pedro de Almeida, a Sua Majestade, sobre a Soltura dos negros naquela capitania. Apud GOULART, José Alípio. Da fuga ao suicídio: aspectos de rebeldia dos escravos no Brasil. Rio de Janeiro: Conquista, INL, 1972. p. 284. COMENTE três formas de resistência do negro à escravidão durante o Período Colonial.

 

 

05. Povos e Reinos Africanos: (FGV-SP) Alguns moradores daqueles distritos, por temerem os danos que recebiam e segurarem as suas casas, famílias e lavouras dos males que os negros do Palmares lhes causavam, tinham com elas secreta confederação, dando-lhes armas, pólvora e balas, roupas, fazendas da Europa e regalos de Portugal, pelo ouro, prata e dinheiro que traziam do que roubavam, e alguns víveres dos que nos seus campos colhiam, sem atenção às gravíssimas penas em que incorriam, porque o perigo presente os fazia esquecer do castigo futuro […]

ROCHA PITA, S. da. História da América Portuguesa. Belo Horizonte: Itatiaia/Edusp, 1976. p. 215.

Essa é uma das mais antigas descrições sobre o Quilombo dos Palmares, publicada em 1730 e elaborada por um luso-brasileiro que acompanhou, de Salvador, a sua destruição ao final do século XVII.

A) APRESENTE uma definição para quilombo.

B) ANALISE as relações de Palmares com a sociedade colonial.

 

Lista de Exercícios sobre os Pensadores do Iluminismo.

 

06. Povos e Reinos Africanos: (UFMG) Leia os versos.

Seiscentas peças barganhei

– Que pechincha! – no Senegal

A carne é rija, os músculos de aço,

Boa liga do melhor metal.

Em troca dei só aguardente,

Contas, latão – um peso morto!

Eu ganho oitocentos por cento

Se a metade chegar ao porto.

HEINE, Heinrich apud BOSI, Alfredo. Dialética da colonização. São Paulo: Cia. das Letras, 1992.

A) IDENTIFIQUE a atividade a que se referem esses versos.

B) Cada uma das estrofes desenvolve uma ideia central. IDENTIFIQUE essas ideias.

 

 

07. Povos e Reinos Africanos: Unioste-PR

O Pan-africanismo pregava a união dos africanos a fim de conquistar a independência. Considerando que a partilha da África criou divisões arbitrárias e fronteiras territoriais sem levar em conta as diferenças étnicas dos africanos, defendia a necessidade de organizar federações regionais de estados independentes, preparando uma futura constituição dos Estados Unidos da África. Foi formulado originalmente por negros americanos de origem africana: o advogado da República de Trindade Sylvester William e o historiador norte-americano W. E. Burghardt Du Bois.

Baseado no texto, é possível afirmar que:

01. quando os colonizadores invadiram a África, adotaram as etnias locais como critério para a partilha das terras.

02. a organização de federações de estados independentes no continente africano era uma lei da constituição norte-americana.

04. o historiador W. E. Burghardt foi uma das lideranças do pan-americanismo.

08. o pan-africanismo foi um movimento apenas para a modificação das fronteiras internas da África.

16. a diversidade étnica não era um elemento relevante para o pan-africanismo.

32. a independência dos povos africanos era uma reivindicação dos pan-africanistas.

64. a existência de etnias diferentes não é muito visível entre os africanos.

Some os números dos itens corretos.

 

 

08. (UERJ–2009) O trabalho na colônia:

1. 1500-1532: período chamado pré-colonial, caracterizado por uma economia extrativa baseada no escambo com os índios;

2. 1532-1600: época de predomínio da escravidão indígena;

3. 1600-1700: fase de instalação do escravismo colonial de plantation em sua forma “clássica”;

4. 1700-1822: anos de diversificação das atividades em função da mineração, do surgimento de uma rede urbana, mais tarde, de uma importância maior da manufatura – embora sempre sob o signo da escravidão predominante.

CARDOSO, Ciro Flamarion Santana. In: LINHARES, Maria Yedda (Org.). História geral do Brasil. 9. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2000.

A partir das informações do texto, verificam-se alterações ocorridas no sistema colonial em relação à mão de obra.

APRESENTE duas justificativas para o incentivo do Estado português à importação de mão de obra escrava para sua colônia na América.

 

 

09. Povos e Reinos Africanos: (Encceja) É bastante conhecida, no caso brasileiro, a história do povo africano que, vivendo nas senzalas, inventou a capoeira. Enquanto fingia estar dançando, treinava golpes para defender-se dos seus opressores.

A partir da leitura do texto, é possível afirmar que os povos:

a) copiam movimentos de outros lugares.

b) criam movimentos relacionados às suas necessidades.

c) são incapazes de elaborar movimentos.

d) se limitam aos movimentos que já conhecem.

e) só se movimentam para se defender.

 

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Gabarito com as respostas das atividades de História sobre os Povos e Reinos Africanos:

01. C;

02. A;

03. A) A dispersão arbitrária e forçada de diversas culturas africanas nos domínios coloniais europeus através da massificação do trabalho escravo.

B) Entre outras manifestações culturais, podemos identificar a influência africana na música, expressa particularmente no samba, e na religião, com a umbanda e o candomblé.

C) O preconceito racial direcionado aos afrodescendentes, decorrendo daí a discriminação contra os negros nos diversos âmbitos da sociedade.

04. Podem ser citadas as seguintes formas de resistência:

• Fugas das áreas de engenhos, desde os séculos XVI e XVII, e, posteriormente, na extensão da colonização às áreas interioranas (fazendas), formando as comunidades de quilombolas.

• Assassinatos de senhores, feitores e capitães do mato, por estrangulamento, enforcamento, envenenamento, esfaqueamento, asfixia e golpes de capoeira.

• Suicídio, por inanição, asfixia, enforcamento, envenenamento, ingestão de areia, etc., causando prejuízos aos proprietários com a sua morte e tornando-se livres de futuros maus-tratos.

• Aborto, para evitar trazer à luz filhos que sofreriam toda a violência do sistema e para prejudicar o investimento dos senhores em suas “crias”. O aborto era provocado pela ingestão de chás ou introdução de objetos nas genitálias pelas próprias escravas.

• Sabotagens, resistência e negligência no trabalho, não cumprindo ordens dadas ou causando danos aos instrumentos de trabalho.

• Raptos e furtos de outros escravos de fazendas para lugares muito distantes das vilas coloniais, sedes do poder colonizador português.

• Formação de quilombos, local de reunião de escravos foragidos, organizados com a associação destes com outras populações dominadas, tais como mestiços e índios, submetidos à escravidão. Tinham governo local próprio. O mais famoso, Quilombo dos Palmares, em Alagoas, que, sob a liderança de Zumbi, resistiu durante anos aos cercos das autoridades coloniais, constituindo-se um marco histórico da resistência à escravidão no Brasil, incluía homens livres.

• Insurreições. O enfrentamento pelas armas, como é o caso da Revolta dos Malês na Bahia.

• Preservação da identidade cultural – participação em irmandades católicas, como de São Benedito e N. S. do Rosário, procurando, mediante o sincretismo, manter viva sua cultura e seu sistema de crenças.

05. A) Os quilombos constituíam as comunidades formadas por escravos fugitivos, organizadas de forma independente em relação à administração colonial, congregando negros (em maioria) e indígenas, brancos e mestiços (em menor número). Representaram a principal forma de resistência à escravidão no Brasil.

B) De modo geral, as relações de Palmares com a sociedade colonial eram conflituosas, em decorrência dos assaltos a povoações e a engenhos e do estímulo a fugas de escravos. Mas eram também relativamente pacíficas, se considerarmos a ocorrência de transações comerciais com as comunidades próximas, onde os excedentes da produção do quilombo eram trocados por sal, por ferramentas, por armas e por munição. Em síntese, ao mesmo tempo que o Quilombo dos Palmares constituía-se como negação à escravidão e ao patriarcalismo senhorial, articulava-se, economicamente, à sociedade colonial.

06. A) O tráfico escravista.

B) A primeira tem como ideia central o tráfico em si, e a segunda, sua alta lucratividade.

07. 32;

08. Duas das justificativas enumeradas a seguir:

• Oposição da Igreja Católica à utilização do indígena como escravo.

• Dificuldade de apresamento dos indígenas, em função de sua migração / fuga para o interior.

• Lucratividade do tráfico internacional de escravos, permitindo o acúmulo de capital por parte da burguesia, em especial, metropolitana, e gerando o aumento das receitas do Estado português.

• “Falta de braços” para a lavoura dos principais produtos coloniais, devido a um ciclo de doenças ocorrido na segunda metade do século XVI, responsável pela morte de milhares de indígenas.

• Caráter fortemente hierárquico da sociedade portuguesa daquele momento, marcada pelo uso legitimado da escravidão.

09. A

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