Simulado sobre Interpretação de Texto com Gabarito

Interpretação de Texto: A ética é o dia a dia de uma sociedade. Sociedades não existem no abstrato: elas precisam de alguma espécie de cimento que mantenha as suas peças bem-ajustadas e sólidas. Antigamente, esse cimento era fornecido pelos valores religiosos. Uma das diferenças entre o Ocidente moderno e os países islâmicos é que lá o cimento continua a ser religioso; enquanto aqui, chegou-se à conclusão de que era melhor laicizar a política, deixando as crenças para a consciência ou a convicção de cada um.

E assim, o que nos mantém unidos em torno deste ou daquele projeto político é a ideia — concreta ou difusa — de uma ética; de um tipo de comportamento que preste homenagem a certos princípios. Esses princípios poderiam ser resumidos em um só: o da coisa pública.

O Globo, 30/11/2006, p. 6 (com adaptações).

 

01. Interpretação de Texto: (CESPE – 2006) Em relação às ideias do texto acima, assinale a opção correta.

(A) O cimento que mantém a sociedade ocidental bem-ajustada e sólida são os valores religiosos.

(B) Os países islâmicos laicizaram a política em busca de um princípio ético.

(C) O princípio da coisa pública resume os princípios a que uma ética que embasa um projeto político presta homenagem.

(D) Os países islâmicos relegam as crenças à consciência ou à convicção de cada um.

 

 

O valor da vida é de tal magnitude que, até mesmo nos momentos mais graves, quando tudo parece perdido dadas as condições mais excepcionais e precárias — como nos conflitos internacionais, na hora em que o direito da força se instala negando o próprio Direito, e quando tudo é paradoxal e inconcebível —, ainda assim a intuição humana tenta protegê-lo contra a insânia coletiva, criando regras que impeçam a prática de crueldades inúteis.

Quando a paz passa a ser apenas um instante entre dois tumultos, o homem tenta encontrar nos céus do amanhã uma aurora de salvação. A ciência, de forma desesperada, convoca os cientistas a se debruçarem sobre as mesas de seus laboratórios, na procura de meios salvadores da vida.

Nas salas de conversação internacionais, mesmo entre intrigas e astúcias, os líderes do mundo inteiro tentam se reencontrar com a mais irrecusável de suas normas: o respeito pela vida humana.

Assim, no âmago de todos os valores, está o mais indeclinável de todos eles: a vida humana. Sem ela, não existe a pessoa humana, não existe a base de sua identidade. Mesmo diante da proletária tragédia de cada homem e de cada mulher, quase naufragados na luta desesperada pela sobrevivência do dia a dia, ninguém abre mão do seu direito de viver. Essa consciência é que faz a vida mais que um bem: um valor.

A partir dessa concepção, hoje, mais ainda, a vida passa a ser respeitada e protegida não só como um bem afetivo ou patrimonial, mas pelo valor ético de que ela se reveste. Não se constitui apenas de um meio de continuidade biológica, mas de uma qualidade e de uma dignidade que faz com que cada um realize seu destino de criatura humana.

Internet: <http://www.dhnet.org.br>. Acesso em ago./2004 (com adaptações).

 

02. Interpretação de Texto: (CESPE – 2004) Com base no texto acima, julgue os itens a seguir.

(1) O texto estrutura-se de forma argumentativa em torno de uma ideia fundamental e constante: a vida humana como um bem indeclinável.

(2) O primeiro parágrafo discorre acerca da valorização da existência e da necessidade de proteção da vida contra a insânia coletiva, por intermédio de normas de convivência que impeçam a prática de crueldades inúteis, principalmente em épocas de graves conflitos internacionais, quando o direito da força contrapõe-se à força do Direito e quando a situação se apresenta paradoxal e inconcebível.

(3) No segundo parágrafo, estão presentes as ideias de que a paz é ilusória, não passando de um instante apenas de trégua entre dois tumultos, e de que, para mantê-la, os cientistas se desdobram à procura de fórmulas salvadoras da humanidade e os líderes mundiais se encontram para preservar o respeito recíproco.

(4) No penúltimo parágrafo, encontra-se uma redundância: a afirmação de que o soberano dos valores é a vida humana, sem a qual não existe a pessoa humana, sequer a sua identidade.

(5) O comprometimento ético para com a humanidade é defendido no último parágrafo do texto, que discorre acerca da vida não só como um meio de continuidade biológica, mas como a responsável pelo destino da criatura humana.

 

 

Um desafio cotidiano

Recentemente me pediram para discutir os desafios políticos que o Brasil tem pela frente. Minha primeira dúvida foi se eles seriam diferentes dos de ontem.

Os problemas talvez sejam os mesmos, o país é que mudou e reúne hoje mais condições para enfrentá-los que no passado.

A síntese de minhas conclusões é que precisamos prosseguir no processo de democratização do país.

Kant dizia que a busca do conhecimento não tem fim. Na prática, democracia, como um ponto fnal que uma vez atingido nos deixa satisfeitos e por isso decretamos o fim da política, não existe. Existe é democratização, o avanço rumo a um regime cada vez mais inclusivo, mais representativo, mais justo e mais legítimo. E quais as condições objetivas para tornar sustentável esse movimento de democratização crescente?

Embora exista forte correlação entre desenvolvimento e democracia, as condições gerais para sua sustentação vão além dela. O grau de legitimidade histórica, de mobilidade social, o tipo de conflitos existentes na sociedade, a capacidade institucional para incorporar gradualmente as forças emergentes e o desempenho efetivo dos governos são elementos cruciais na sustentação da democratização no longo prazo.

Nossa democracia emergente não tem legitimidade histórica.

Esse requisito nos falta e só o alcançaremos no decorrer do processo de aprofundamento da democracia, que também é de legitimação dela.

Uma parte importante desse processo tem a ver com as relações rotineiras entre o poder público e os cidadãos. Qualquer flagrante da rotina desse relacionamento arrisca capturar cenas explícitas de desrespeito e pequenas ou grandes tiranias. As regras dessa relação não estão claras. Não existem mecanismos acessíveis de reclamação e desagravo.

 

03. Interpretação de Texto: (CESPE – 2000) Com relação às ideias do texto, julgue os seguintes itens.

(1) O autor considera que o modelo de democracia do Brasil não resolverá os problemas políticos do país.

(2) Um regime democrático caracteriza-se pela existência de um processo contínuo de busca pela legitimidade, justiça, representatividade e inclusão.

(3) Democracia é uma das condições de sustentação do desenvolvimento, mas não a única.

(4) Enquanto não houver mecanismos acessíveis de reclamação e desagravo, as relações entre poder público e cidadãos não serão regidas por meio de regras claras.

(5) De acordo com o desenvolvimento da argumentação, o pedido estabelecido no primeiro período do texto, e que deu origem ao ensaio, não pode ser atendido, razão pela qual o texto não é conclusivo.

 

 

É voz corrente que a humanidade está vivendo um momento de crise. A excessiva exaltação dos objetivos econômicos, com a eleição dos índices de crescimento como o padrão de sucesso ou fracasso dos governos, estimulou a valorização exagerada da busca de bens materiais.

Isso foi agravado pela utilização dos avanços tecnológicos para estimular o consumismo e apresentar maliciosamente a posse de bens materiais supérfluos como padrão de sucesso individual. A consequência última desse processo foi a implantação do materialismo e do egoísmo na convivência humana, sufocando-se os valores espirituais, a ética e a solidariedade.

Dalmo Dallari. Internet: <dhnet.org.br/direitos/sos/discrim/ preconceito/policiais.html>.

 

04. Interpretação de Texto: (CESPE – 2006) Assinale a opção que não está de acordo com as ideias do texto acima.

(A) A crise que a humanidade está vivendo envolve o abafamento de valores espirituais, da ética e da solidariedade.

(B) A busca de bens materiais provém da excessiva valorização dos índices de crescimento como padrão de sucesso das nações.

(C) O consumismo foi estimulado por meio dos avanços tecnológicos que apresentam os bens materiais como forma de sucesso individual.

(D) O processo de valorização exagerada dos bens materiais atenua a manifestação do egoísmo na convivência entre as pessoas.

 

 

As mudanças e transformações globais nas estruturas políticas e econômicas no mundo contemporâneo colocam em relevo as questões de identidade e as lutas pela afirmação e manutenção das identidades nacionais e étnicas. Mesmo que o passado que as identidades atuais reconstroem seja, sempre, apenas imaginado, ele proporciona alguma certeza em um clima que é de mudança, fluidez e crescente incerteza.

As identidades em conflito estão localizadas no interior de mudanças sociais, políticas e econômicas, mudanças para as quais elas contribuem.

Tomaz Tadeu da Silva (Org.). Stuart Hall e Kathryn Woodward. Identidade e diferença – A perspectiva dos estudos culturais. Petrópolis: Vozes, 2004, p. 24-5 (com adaptações).

05. Interpretação de Texto: (CESPE – 2008) A argumentação textual se apoia na ideia de que

(A) as transformações globais decorrem de conflitos de identidades nacionais e étnicas.

(B) as lutas pela afirmação e manutenção das estruturas globais são necessárias.

(C) as identidades atuais padecem de incerteza porque são apenas imaginadas.

(D) as identidades não são fxas e integram as mudanças sociais e políticas.

(E) as lutas pelas transformações sociais são o conflito de identidades.

 

Exercícios sobre o Pré-Modernismo e Modernismo.

 

O Estado – nação brasileiro tem suas raízes na expansão mercantil – colonial europeia do século XVI. Naquele momento histórico, as burguesias mercantis, aliadas às monarquias, sobretudo portuguesa e espanhola, empreendiam a busca, para além – mar, do ouro da prata ou de produtos que, de alto valor comercial nos mercados europeus, pudessem ser transacionados com muito lucro. O pau – Brasil, que abundava em nossas terras tropicais, ao longo da costa atlântica, foi o primeiro alvo do saque aos recursos naturais, até então manejados por diversos povos indígenas e nômades e seminômades. Ironicamente, a espécie que acabou por dar origem ao nome do país tornou – se a primeira vítima: o pau – Brasil, madeira de coloração avermelhada que os europeus utilizavam na produção de tinturas, hoje só existe nos jardins e museus botânicos.

Carlos Walter Porto Gonçalves. Formação sócio-espacial e questão ambiental no Brasil. In: Becker et al. (org.). Geografa e meio ambiente no Brasil. 3ª ed. São Paulo: Ana Blume – Hucitec, 2002, p. 312 (com adaptações).

 

06. Interpretação de Texto: (CESPE – 2005) Assinale a opção incorreta.

(A) Caso fosse omitida a vírgula logo após “mercantis” ( l. 3), o texto não sofreria prejuízo do ponto de vista estritamente sintático, mas a informação expressa no trecho de ocorrência da vírgula fcaria prejudicada do ponto de vista histórico.

(B) Se acatado o rigor gramatical, os adjetivos “portuguesa” ( l. 4) e espanhola ( l. 5) deveriam estar flexionados no plural.

(C) Contribuiria para precisão da informação expressa no segundo período do texto a seguinte reescritura do texto “ou de produtos (…) lucro” ( l. 6 – 8): ou de outros produtos de alto valor comercial que pudessem ser, também, transacionados com muito lucro nos mercados europeus.

(D) Há elementos no texto, em especial, o emprego do advérbio “ironicamente” ( l. 13) e da expressão “a primeira vítima”( l. 14), que permitem a interferência de que o Brasil, desde que se tornou Estado – Nação, assim como o produto de que se originou seu nome, pode ser percebido como vítima de seu saque.

(E) No período situado nas linhas de 8 a 12, há uma comparação subjacente que enaltece os “diversos povos indígenas nômades e seminômades” ( l. 11 – 12) e que está marcada linguisticamente pelo contraste de “[recursos naturais] manejados” ( l. 11) com “alvo do saque aos recursos naturais” ( l. 10 – 11), expressão atribuída aos europeus.

 

 

O preço do saneamento

Falta saneamento básico para 2,6 bilhões de pessoas, ou 41% da população mundial. A ONU afirma que o problema poderia ser solucionado em duas décadas, com investimentos anuais de 10 bilhões de dólares.

A falta de saneamento causa: a morte de 42.000 pessoas por semana no mundo; a morte de uma criança a cada 20 segundos.

Seria possível solucionar o problema com: o equivalente a 1% dos investimentos militares feitos anualmente no mundo; o equivalente ao dinheiro gasto pelos europeus com sorvete.

Holofote. In: Veja, 13/2/2008, p. 42 (com adaptações).

 

07. Interpretação de Texto: (CESPE – 2008) A partir do texto acima, julgue os itens que se seguem.

(1) Infere-se do texto que a população mundial é formada por mais de 6 bilhões de pessoas.

(2) Considere que, em cada ano das próximas duas décadas, não se consiga investir o total necessário para solucionar os problemas da falta de saneamento, mas apenas 60% do que for conseguido no ano anterior, e que, no primeiro ano das próximas duas décadas, seja investido o valor máximo estimado de 10 bilhões de dólares. Dessa forma, o valor investido no 5.º ano corresponderá a menos de 1 bilhão de dólares.

(3) Considerando que uma semana equivale a 7 dias de 24 horas cada, é correto afirmar, de acordo com o texto, que, das 42.000 mil pessoas que morrem por semana no mundo tendo como causa da falta de saneamento, mais de 70% são crianças.

(4) O texto permite concluir que o valor dos investimentos militares por ano, no mundo, é de cerca de 1 trilhão de dólares.

 

 

Texto para as questões 08, 09 e 10.

A localidade opõe-se à globalidade, mas também se confunde com ela. O mundo, todavia, é nosso estranho. Pela sua essência, ele pode esconder-se; não pode, entretanto, fazê-lo pela sua existência, que se dá nos lugares. No lugar, nosso Próximo, superpõem-se, dialeticamente, o eixo das sucessões, que transmite os tempos externos das escalas superiores, e o eixo dos tempos internos, que é o eixo das coexistências, onde tudo se funde, enlaçando, definitivamente, as nações e as realidades de espaço e de tempo.

No lugar – um cotidiano compartido entre as mais diversas pessoas, firmas e instituições -, cooperação e conflito são a base da vida em comum. Porque cada qual exerce uma ação própria, a vida social individualiza-se;

E, porque a contiguidade é criadora de comunhão, a política se territorializa, com o confronto entre organização e espontaneidade. O lugar é o quadro de uma referência pragmática ao mundo, do qual lhe vêm solicitações e ordens precisas de ações condicionadas, mas é também o teatro insubstituível das paixões humanas, responsáveis, por meio da ação comunicativa, pelas mais diversas manifestações da espontaneidade e da criatividade.

Milton Santos. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. 2ª ed. São Paulo: Hucitec, p. 258 (com adaptações)

 

08. Interpretação de Texto: (CESPE – 2005) Considerando as ideias e as estruturas morfossintáticas do texto, julgue (C ou E) os seguintes itens.

(1) No primeiro período do texto, a noção de oposição é produzida, via semântica, pelo emprego de duas antíteses: “localidade”/”globalidade” e “opõe”/confunde”

(2) Atenderiam aos princípios de coesão e ás prescrições gramaticais as duas seguintes alterações do primeiro período do texto: A localidade e a globalidade confundem-se. Opõe-se e confundem-se também a localidade à globalização.

(3) As considerações iniciais do autor a respeito da essência e da existência do mundo ( l. 2-5) encontram seu correlato, no sistema linguístico, na distinção semântica do par verbal ser/estar.

(4) É possível estabelecer uma analogia entre “tempos externos das escalas superiores” ( l. 7-8) e sincronia e, entre “eixo dos tempos internos” ( l. 8) e diacronia.

 

 

09. Interpretação de Texto: (CESPE – 2005) Analisando a relação entre as informações veiculadas pelo texto e a articulação dos elementos textuais, julgue (C ou E) os itens a seguir.

(1) Na linha 15, o enunciado causal que antecede e em que se sustenta a afirmação “a vida social individualiza-se” é insuficiente para justificar o paradoxo “social/individual”, o que, considerando-se as ideias desenvolvidas no primeiro parágrafo, gera incoerência na linha argumentativa do texto.

(2) No trecho “do qual lhe vêm solicitadas e ordens precisas de ações condicionadas” ( l. 20-21), há uma sucessão de vocábulos do campo semântico de determinação, o que é produtivo para a defesa do autor de seu ponto de vista determinista da política mundial, confirmado no apeloromântico às “paixões humanas” ( l. 22) ao caracterizar “lugar” ( l. 19).

(3) Predomina, no texto, a função referencial da linguagem e verifica-se, também, a utilização pontual da linguagem em sua função poética, como recurso para expressar o conceito de “lugar” por meio da metáfora “o teatro insubstituível das paixões humanas” ( l. 21-22)

(4) A forma verbal prevalente no texto é o presente do indicativo, o que equivale a dizer que o texto se compõe de enunciados categóricos, os quais produzem o tom de certeza na abordagem do tema.

 

 

10. Interpretação de Texto: (CESPE – 2005) Julgue ( C ou E ) os itens que se seguem, a respeito das ideias e das estruturas lexicais, morfossintáticas e semânticas do texto.

(1) O conteúdo desse excerto resume-se em conceituar e explanar a localidade como uma manifestação próxima, cotidiana, pragmática da globalidade.

(2) A coexistência tem lugar no “mundo”, e não, no “lugar”.

(3) A expressão “nosso Próximo” ( l. 5-6) exerce a mesma função sintática que o trecho entre travessões nas linhas 12 e 13.

(4) No texto, dois campos semânticos confrontam-se: de um lado: “localidade” / “existência” / “eixo da coexistência” / “cooperação”; de outro: “globalidade” / “essência” / “eixo dos tempos internos” / “conflitos”.

 

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Gabarito com as respostas dos exercícios de Português sobre Interpretação de Texto:

01. C;

02. 1, 2 e 4 corretas. 3 e 5 erradas;

03. 2, 3 e 4 corretas. 1 e 5 erradas;

04. D;

05. D;

06. B;

07. 1, 3 e 4 corretas. 2 errada;

08. 1 e 3 corretas. 2 e 4 erradas;

09. 3 e 4 corretas. 1 e 2 erradas;

10. 1 e 3 corretas. 4 e 2 erradas,

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